segunda-feira, 27 de junho de 2011

*Divulgação* Book Trailer de Doces Sonhos


Meu livro está perto de ser lançado, a previsão é para Julho, mas podem ocorrer atrasos.
Enfim, para que os leitores possam conhecer melhor a obra eu fiz um booktrailer, um vídeo que fala um pouco a respeito do livro.
Espero que gostem!


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domingo, 26 de junho de 2011

*Arte* Raquel Taraborelli

A artista Raquel Taraborelli em seu jardim

Analisando a arte contemporânea, tenho sentido falta de artistas que lembrem os clássicos, que realmente façam algo além da muito subjetiva arte abstrata, que de fato saibam pintar além de rabiscos e formas geométricas. Nada contra a arte atual ou pós-moderna como alguns se referem, mas acredito que boa parte das obras de hoje contribuem para banalizar a arte. Não pretendo enaltecer a concepção de uma arte elitista e esnobe, mas ainda acredito que exista uma linha entre o que é arte e o que não é, se tudo, absolutamente tudo for considerado arte, nada mais vai ser. Mas essa é a minha opinião, enfim, fiz esses comentários para apresentar uma artista que minha mãe, sendo uma admiradora de Monet, descobriu numa reportagem de TV e me pediu para pesquisar na internet.


'Primavera no meu jardim'(2008) - Raquel Taraborelli

Raquel Taraborelli nasceu em Avaré e hoje mora e trabalha em Votorantin-SP. Lá ela tem uma casa charmosa de estilo toscano onde cria sua arte. Foi engenheira e a pintura era apenas seu hobby, que depois ela acabou transformando em trabalho. Ela se inspira na natureza e nos impressionistas, principalmente Claude Monet.

'Caminho colorido de azaleias' - Raquel Taraborelli

Suas pinceladas são impressionantes mostram a natureza de forma tão própria e ao mesmo tempo tão real que nos transportam para os lugares retratados, numa atmosfera confortável e alegre. Me apaixonei pelo seu trabalho assim que o conheci!

'Outono' - Raquel Taraborelli

Até dia 3 de julho ocorre na Galeria Um lugar ao Sol em Curitiba a exposição ‘A Arte Impressionista de Raquel Taraborelli’. Espero que em breve haja uma exposição aqui em São Paulo pois morro de vontade de apreciar seu trabalho de perto.

Fonte:

http://www.r-taraborelli.com/portugues/artista.asp?Cate=0&sec=x

sábado, 25 de junho de 2011

*Resenha* Tempo de Matar - John Grishan

Sinopse

Dois homens brancos espancam e violentam impiedosamente uma menina negra de dez anos, numa pequena cidade ao sul dos Estados Unidos. A população da cidade - Clanton, no Mississipi -, apesar da significativa maioria branca, reage com choque e horror ao crime desumano. Mas o drama da menina Tonya e de sua família não pára por aí. Ele ganha dimensão nacional a partir do momento em que o pai da menina consegue um fuzil emprestado, relembra seus tempos no Vietnã e mata os estupradores. A opinião pública se divide e o jovem advogado, Jack Brigance, que assume a defesa, terá que enfrentar toda sorte de perseguições, principalmente por parte da violenta Ku Klux Klan. Título original: A time to kill.



John Grishan pra mim é um daqueles autores do qual você ouve falar muito, nada de bom ou ruim, ele apenas é comentado, mas você nunca realmente se interessou em lê-lo. Eu conheci a história de ‘Tempo de Matar’ primeiro através do filme, estrelado por Samuel L. Jackson, Matthew McConaughey e Sandra Bullock. O filme me prendeu e me conquistou de primeira e como acontece sempre que descubro que um filme foi baseado num livro, decidi na hora que precisaria ler. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o autor do livro era John Grishan? E fiquei mais surpresa ao ler o prefácio escrito pelo autor dizendo que este fora seu primeiro livro. Fiquei intrigadíssima!

Bem, vamos às conclusões da leitura. O livro é maravilhoso e cheguei a conclusão que Jonh Grishan pode vir a ser um dos meus autores favoritos. Ele escolheu uma temática bem delicada e polêmica (o estupro ligado às questões raciais nos EUA) e mostrou que não tem medo de temas como esse e não tem medo de construir suas histórias e personagens e acabar afrontando e contrariando a opinião da maioria, o que é uma característica que pode vir a ser irritante em alguns momentos da leitura, mas, sob a luz certa, isso revela força na escrita e na personalidade do escritor. Ás vezes é difícil dar uma chance a um autor sobre o qual não se sabe muito, mas considero importante ‘correr o risco’ sempre, pois existe muita qualidade no mundo literário hoje em dia que permanece na obscuridade. Grishan, acredito que por ser seu primeiro livro, é um tanto prolixo e se demora demais e coisas insignificantes, mas isso não tira a qualidade da obra de forma alguma.

O que mais me cativou na história, desde que assisti ao filme, foi a questão ética. Até onde Carle Lee Hailey tinha razão e o direito de defender sua filha? Um crime hediondo é remediável por outro crime hediondo? Mil conclusões, pensamentos e opiniões surgem desses questionamentos, outro ponto forte para avaliar a qualidade da escrita e do autor. Nenhum é totalmente dispensável ou inútil, mas uma boa obra literária deve mover o leitor e despertar questionamentos e mesmo incômodo, para que a leitura surta o efeito ideal de mover pessoas e o mundo.

Em breve abordarei este livro de forma mais profunda, associando-o à teoria da moral do professor americano Lawrence Kohlberg na coluna de Filosofia, de forma simples e leiga, mas vale a pena conferir!^^

sexta-feira, 24 de junho de 2011

*Música* Carmen Miranda


Ainda ontem escutei meu pai e meus tios dizendo que hoje em dia não se faz mais música boa. Eu discordo, cada época tem seus altos e baixos e o que podemos fazer se há gerações que preferem muito mais os 'baixos'? Enfim, não é nesse mérito que quero entrar, afinal gosto não se discute, mas qualidade sim. Eu reconheço e gosto de muitas músicas e artistas de diversos estilos da música atual, mas também valorizo os que vieram antes, as fontes, as inspirações, e recentemente, tenho descoberto, como visto no último post sobre música, cantoras esplêndidas de outras décadas.

Carmen Miranda é uma personalidade daquelas que desperta desprezo extremo ou devoção apaixonada. Em mim, encontrou uma fã mais do que apaixonada, mas fascinada. Carmen gera muita controvérsia por ser considerada a brasileira mais famosa do século XX, a controvérsia vem do fato de ela não ser realmente brasileira, veio de Portugal para o Brasil com os pais aos poucos meses de idade. Discussões sobre nacionalidade a parte, Carmen Miranda exibiu o que o Brasil tinha de melhor com devoção e verdadeira paixão pelo nosso país. Embora tenham ocorrido alguns problemas em sua estada nos Estados Unidos, onde ela foi obrigada a encenar em filmes e interpretar músicas que passavam idéias totalmente errôneas sobre o Brasil, o velho negócio de acharem que a capital do Brasil é Buenos Aires e etc.

Carmen, a Pequena Notável, lançou moda, lançou o Brasil na mapa, alcançou fama e popularidade em lugares que antes os brasileiros não conseguiam entrar com o papel principal. Foi muito criticada ao voltar para o Brasil depois de uma longa estada nos EUA, disseram que voltou americanizada... Ficava muito triste ao ouvir esse tipo de coisa, pois dizia que nada mudaria o que ela sentia pelo Brasil, pelo samba e pelo Rio de Janeiro.

Infelizmente teve um fim muito triste, dopada de drogas para dormir e acordar, morreu sozinha em sua casa, longe do Brasil e de tudo que amava.

Independente destas questões delicadas vale muito a pena conhecer mais sobre Carmen Miranda, sua história e sua música. Recomendo o site listado no final, a edição especial da revista Mag e o livro, a biografia mais completa e conceituada sobre a Pequena Notável. Simplesmente apaixonante!

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Bibliografia e Webgrafia

Castro, Ruy – ‘Carmen-Uma biografia’ – Companhia das Letras

Carmen Pop-Revista FFW Mag,nº12-2009

http://www.carmenmiranda.com.br/

segunda-feira, 20 de junho de 2011

*Divulgações* Blog

Fiquei grata e surpresa ao entrar no twitter e ver que o blog foi citado no The Sara Bauducco Daily, na sessão de Arte & Entretenimento com a resenha de 'Memórias de uma Gueixa'.
Para acessar o The Sara Bauducco Daily clique aqui.

*Arte* Gianlorenzo Bernini (1598-1680)


'Apolo e Dafne' (1622-5)

Gianlorenzo Bernini (1598-1680) foi um dos expoentes do Barroco.

Sempre houve no mundo da arte uma rixa muito comentada. Entre a pintura e a escultura qual cumpria com o supremo objetivo da arte de representar a beleza? Houve muitos bons exemplos que pendiam para os dois lados. Michelangelo por exemplo se destacou nos dois e tomo como exemplo a extremamente conhecida e admirada Capela Sistina e o seu inquietante Moisés esculpido para o túmulo do papa Julio II. Eu mesma sempre fui uma admiradora incondicional e apaixonada pela vitalidade e perfeição dos trabalhos de Michelangelo. Já conhecia e admirava um pouco do trabalho de Bernini, mas até o momento de realizar a pesquisa para escrever este texto eu não tinha idéia da sua genialidade!

Antes de Bernini, os escultores buscavam uma coisa: a imortalidade. Embora o mármore não dispusesse do recurso de cores que a pintura dispõe, os escultores acreditavam que esse material, enobrecido pela escultura clássica, tinha o poder de transformar a representação da humanidade mortal simples em algo mais belo e puro, mais próximo do divino. Bernini, com seus idéias supremos de semelhança não agradou logo de cara e seu trabalho foi muito criticado. A razão? Bem, o artista esculpia formas próximas do real demais, muito vivas, e os críticos na época acreditavam que essa característica retirava a nobreza do mármore que consistia no peso da pedra, na representação do ideal, do divino e não do homem como ele realmente é. Citando Simon Schama, autor de ‘O Poder da Arte’ da Companhia das Letras, Michelangelo esculpia homens-deuses, Bernini esculpia homens-homens.

'O martírio de San Lorenzo' (1613)

Filho de pai escultor, Bernini se revelou um verdadeiro prodígio sobrepujando a fama e o talento do pai já aos 15 anos com o seu belíssimo ‘O Martírio de San Lorenzo’. Para entendermos o brilhantismo dessa precoce realização cabe citar quem foi São Lorenzo. Considerado hoje o padroeiro dos chefs, São Lorenzo foi martirizado numa grelha e, dizem relatos documentados, ele disse que já havia queimado o bastante de um lado, que deveria ser virado. Segundo os relatos, ao invés do cheiro de carne queimada subiu ao ar um odor tão sublime durante sua tortura que muitas pessoas caíram ao chão e se converteram na mesma hora. Para retratar um momento tão intenso Bernini teria experimentado queimar a perna no braseiro para capturar a sensação e sua expressão no espelho para poder retratar o santo martirizado. Repetiu tal experiência queimando o braço anos mais tardes para retratar o desespero de uma alma contemplando o Inferno em ‘Alma Danada’, onde esculpiu seu próprio rosto.

'Alma Danada' (1619)

'O Êxtase de Santa Tereza' (1644-7)

Mas sua obra mais conhecida (e mais comentada) com certeza é ‘O Êxtase de Santa Tereza’, uma santa que declarou em sua biografia ter sido tocada por um anjo experimentado o êxtase espiritual. Muitas pessoas interpretam de forma maldosa, digamos assim, a expressão da santa durante a levitação de êxtase, mas Bernini, que era muito religioso, deseja com a expressão e a vitalidade da figura, fundir o desejo físico e anatômico com a transcendência emocional, já que o corpo nunca está completamente dissociado das questões emocionais e espirituais e a própria santa em sua biografia relata que o corpo tem grande parte em seus êxtases espirituais.

Detalhe d'O Êxtase de Santa Tereza

Para não me exceder em muitos detalhes mais corriqueiros deixo aqui imagens das obras que mais me inquietaram e convido o leitor a observar e se maravilhar com a genialidade do artistas. Caso queiram mais informações sobre Bernini ou História da Arte recomendo os livros que me ajudaram na escrita deste, listados na bibliografia no final.

Aproveitem e desfrutem!^^

'O Rapto de Prosérpina' (1621)

'Davi' (1623-4)
Detalhe de davi

Bibliografia

Schama, Simon – O Poder da Arte – Companhia das Letras, 2010.

Gombrich, E.H. – A História da Arte – LTC, 2008.

Hodge, A.N. – A História da Arte (Da pintura de Giotto aos dias de hoje) – Cecic, 2009.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

*Resenha* Memórias de uma Gueixa - Arthur Golden

Sinopse
"Memórias de uma Gueixa" é um romance fascinante, para ser lido de várias maneiras: como um mergulho na tradicional cultura japonesa, ou um romance sobre a sexualidade, e ainda, como uma descrição minuciosa da alma de uma mulher já apresentada por um homem. Seu relato tem início numa vila pobre de pescadores, em 1929, onde a menina de nove anos é tirada de casa e vendida como escrava. Pouco a pouco, vamos acompanhar sua transformação pelas artes da dança e da música, do vestuário e da maquilagem; e a educação para detalhes como a maneira de servir saquê revelando apenas um ponto do lado interno do pulso - armas e mais armas para as batalhas pela atenção dos homens. Mas a Segunda Guerra Mundial força o fechamento das casas de gueixas e Sayuri vê-se forçada a se
reinventar em outros termos, em outras paisagens.





Há muito tempo que eu quero ler esse livro, desde que vi o filme e descobri que era baseado num livro, assim como qualquer filme que me emociona, eu não descanso enquanto não leio a obra. Os filmes embora bem feitos, não alcançam a riqueza de detalhes e o estilo único de escrita de cada autor. Enquanto não leio o livro nunca acho que sei o bastante sobre a história que o filme retrata.


No caso de ‘Memórias de uma Gueixa’ de Arthur Golden além de emocionante, duas outras coisas chamam a atenção e são imprescindíveis de se comentar: O autor relata as memórias uma mulher de forma tão delicada e profunda que se pode acreditar que é uma pessoa de verdade expondo suas lembranças ao escritor, além da descrição interessantíssima e até inédita da vida e dos costumes das gueixas no Japão de século XX.


A pesquisa sobre o universo das gueixas pode ter se mostrado um desafio para o autor num primeiro momento pois como o autor mesmo explica em seus agradecimentos ao término do livro, ele tinha muitos conceitos errôneos sobre a vida e os hábitos de uma gueixa, e, graças a entrevistas com algumas delas que acabaram tornando-se boas amigas dele ele pôde desvendar os mistérios desse atraente e peculiar mundo de delicada beleza. Embora seus colaboradores tenham respondido suas perguntas com sinceridade muitos o aconselharam a não mostrar as coisas com tanta clareza, talvez por causa do tema complicado da sexualidade ou do lugar inferior que as mulheres ocupavam na sociedade japonesa das décadas de 30 e 40.


A narrativa, feita em primeira pessoa pela própria Sayuri, revela a delicadeza e humildade de uma mulher que passou por sofrimentos e encontrou seus próprios e arriscados meios para preservar seus sentimentos e sua felicidade. A personagem é vendida a um Okiya, lugar onde vivem as gueixas, em tenra idade sem entender muito bem o que significava tudo aquilo. Depois de diversos contratempos, ela decide que para alcançar seus objetivos de felicidade ela precisa se tornar uma gueixa, mas para realizar seus sonhos ela tem de pagar diversos preços, alguns altos demais por sua rebeldia diante do próprio destino.


Ao longo da trama você se vê tão envolvido pela meiguice, tranqüilidade e bondade da personagem que é difícil acreditar que, embora o autor relate fatos verdadeiros a respeitos das gueixas de Gion dos anos 30 e 40, seus personagens são fictícios. É possível sentir e até acreditar que estamos ‘ouvindo’ os relatos difíceis e emocionantes de uma mulher de verdade.
Leitura absolutamente recomendada para quem se interessa pela história das mulheres e do Japão e quem gosta de uma boa narrativa de memórias.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

*Música* Ella Fitzgerald

Pensando em oferecer algo diferente na coluna de música imediatamente me veio a cabeça uma das minhas cantoras favoritas: Ella Fitzgerald. Considerada a Primeira Dama da Música, ganhou 13 prêmios Grammy em sua carreira e vendeu mais de 40 milhões de álbuns. Trabalhou com grandes nomes do Jazz como Louis Armstrong, Nat King Cole e Benny Goodman.

Antes de mais nada, para entender como era especial a voz de Ella Fitzgerald é importante conhecer um pouquinho do Jazz. O estilo nasceu em Nova Orleans, Chigago e o termo começou a ser usado no final dos anos 10 e início do anos 20 para denominar o estilo surgido do blues, das works-songs dos trabalhadores negros norte-americanos e do negro spiritual protestante e do ragtime.

Ella Jane Fitzgerald nasceu na Virginia em 25 de abril de 1917. Teve uma infância difícil, como muitos cantores de jazz e blues, perdeu a mãe aos 15 anos, se meteu em encrencas com a polícia indo parar num reformatório onde foi maltratada e embora tenha conseguido fugir se viu sozinha bem no meio da Grande Depressão. Mais tarde ela usou as lembranças dessas dificuldades e sofrimentos na interpretação das músicas e era muito grata pelo sucesso que alcançou. Era muito tímida e reservada fora do palco, foi chamada de feia e impedida de cantar por esse motivo mais de uma vez, mas declarou certa vez:
“Uma vez lá em cima, eu sentia a aceitação e o amor do público. Eu sabia que queria cantar diante das pessoas pelo resto da minha vida”.

Dona de uma voz feminina, flexível, abrangente e eterna, impossível não se contagiar e amar Ella Fitzgerald!

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Fontes que me ajudaram a escrever:
http://www.ellafitzgerald.com/about/biography.html
http://www.ejazz.com.br/

sexta-feira, 3 de junho de 2011

*Arte* Rita Loureiro



Boi Vento


Nascida em Manaus, no ano de 1952, Rita Loureiro mudou-se para o Rio de Janeiro onde começou a pintar. Mas assim como Hieronymus Bosch, a vida de Rita Loureiro não é muito clara, pois "exilou-se" na Amazônia para criar um repertório sem influências externas, suas obras têm uma intensidade marcante e inúmeras hipóteses de significado e interpretação, algumas figuras são facilmente reconhecidas por pessoas que compartilham da cultura amazonense e que conhecem lendas, danças, costumes e histórias de onde Rita tomou inspiração e repertório de pintura.


"Desfolhante Laranja"



Em 1984, executou um trabalho de ilustração de Macunaíma, o herói sem caráter, de Mário de Andrade. No livro Boi-Tema sobre a exposição homônima da artista, Gilda de Melo e Souza, em sua apresentação aborda o período em que Rita Loureiro esteve isolada na Amazonia produzindo as ilustrações de Macunaíma como um período de aprendizado e experimentação, revelando o autêntico estilo dela mais tarde, depois de participar de diversas exposições, na "Boi Tema", no Museu de Arte de São Paulo em 1984.




"Pesadelo do Vaqueiro"


Inspirada basicamente no Boi-Bumbá, todas as personagens, a indumentária, a figuração simbólica, sugestões plásticas e situações derivam de sua inspiração. Familiar ao povo em que lhe serviu de inspiração, sua obra transmite historietas, críticas sociais ou políticas forjadas, versões pessoais de mitos, modo de compor igual ao utilizado no Quattrocento para revitalizar a pintura no Ocidente. O tema, a artista revelou, foi escolhido por influência de Mario de Andrade, que considerava o boi como figura importante no imaginário brasileiro, sendo “o bicho nacional por excelência”.

Os quadros de Rita remetem a festas populares com determinados conceitos de espaço, acessórios, decorações, personagens e até mesmo situações dramáticas, retratam o espaço no sentido horizontal e em disposição em desfile, representando as longas distâncias e paisagens da Amazônia.

Rita fundiu a tradição erudita e européia com profundas raízes populares, graças a seu isolamento na Amazonia pôde refletir sobre sua pintura longe das modas e manias, absorvendo sem preconceito a arte de períodos como o Quattrocento e a arte holandesa, sendo considerada como a equivalente brasileira do inquietante Hieronymus Bosch.


Obs.: Perdoem-me pela qualidades das imagens, mas na internet foi impossível conseguir imagens das obras da artista, portanto tive que escaneá-las do livro que usei para me ajudar a escrever o texto.


Fontes

Livro: Boi-Tema - Texto de Gilda de Mello e Souza

Site: Itaú Cultural