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domingo, 26 de junho de 2011

*Arte* Raquel Taraborelli

A artista Raquel Taraborelli em seu jardim

Analisando a arte contemporânea, tenho sentido falta de artistas que lembrem os clássicos, que realmente façam algo além da muito subjetiva arte abstrata, que de fato saibam pintar além de rabiscos e formas geométricas. Nada contra a arte atual ou pós-moderna como alguns se referem, mas acredito que boa parte das obras de hoje contribuem para banalizar a arte. Não pretendo enaltecer a concepção de uma arte elitista e esnobe, mas ainda acredito que exista uma linha entre o que é arte e o que não é, se tudo, absolutamente tudo for considerado arte, nada mais vai ser. Mas essa é a minha opinião, enfim, fiz esses comentários para apresentar uma artista que minha mãe, sendo uma admiradora de Monet, descobriu numa reportagem de TV e me pediu para pesquisar na internet.


'Primavera no meu jardim'(2008) - Raquel Taraborelli

Raquel Taraborelli nasceu em Avaré e hoje mora e trabalha em Votorantin-SP. Lá ela tem uma casa charmosa de estilo toscano onde cria sua arte. Foi engenheira e a pintura era apenas seu hobby, que depois ela acabou transformando em trabalho. Ela se inspira na natureza e nos impressionistas, principalmente Claude Monet.

'Caminho colorido de azaleias' - Raquel Taraborelli

Suas pinceladas são impressionantes mostram a natureza de forma tão própria e ao mesmo tempo tão real que nos transportam para os lugares retratados, numa atmosfera confortável e alegre. Me apaixonei pelo seu trabalho assim que o conheci!

'Outono' - Raquel Taraborelli

Até dia 3 de julho ocorre na Galeria Um lugar ao Sol em Curitiba a exposição ‘A Arte Impressionista de Raquel Taraborelli’. Espero que em breve haja uma exposição aqui em São Paulo pois morro de vontade de apreciar seu trabalho de perto.

Fonte:

http://www.r-taraborelli.com/portugues/artista.asp?Cate=0&sec=x

sexta-feira, 24 de junho de 2011

*Música* Carmen Miranda


Ainda ontem escutei meu pai e meus tios dizendo que hoje em dia não se faz mais música boa. Eu discordo, cada época tem seus altos e baixos e o que podemos fazer se há gerações que preferem muito mais os 'baixos'? Enfim, não é nesse mérito que quero entrar, afinal gosto não se discute, mas qualidade sim. Eu reconheço e gosto de muitas músicas e artistas de diversos estilos da música atual, mas também valorizo os que vieram antes, as fontes, as inspirações, e recentemente, tenho descoberto, como visto no último post sobre música, cantoras esplêndidas de outras décadas.

Carmen Miranda é uma personalidade daquelas que desperta desprezo extremo ou devoção apaixonada. Em mim, encontrou uma fã mais do que apaixonada, mas fascinada. Carmen gera muita controvérsia por ser considerada a brasileira mais famosa do século XX, a controvérsia vem do fato de ela não ser realmente brasileira, veio de Portugal para o Brasil com os pais aos poucos meses de idade. Discussões sobre nacionalidade a parte, Carmen Miranda exibiu o que o Brasil tinha de melhor com devoção e verdadeira paixão pelo nosso país. Embora tenham ocorrido alguns problemas em sua estada nos Estados Unidos, onde ela foi obrigada a encenar em filmes e interpretar músicas que passavam idéias totalmente errôneas sobre o Brasil, o velho negócio de acharem que a capital do Brasil é Buenos Aires e etc.

Carmen, a Pequena Notável, lançou moda, lançou o Brasil na mapa, alcançou fama e popularidade em lugares que antes os brasileiros não conseguiam entrar com o papel principal. Foi muito criticada ao voltar para o Brasil depois de uma longa estada nos EUA, disseram que voltou americanizada... Ficava muito triste ao ouvir esse tipo de coisa, pois dizia que nada mudaria o que ela sentia pelo Brasil, pelo samba e pelo Rio de Janeiro.

Infelizmente teve um fim muito triste, dopada de drogas para dormir e acordar, morreu sozinha em sua casa, longe do Brasil e de tudo que amava.

Independente destas questões delicadas vale muito a pena conhecer mais sobre Carmen Miranda, sua história e sua música. Recomendo o site listado no final, a edição especial da revista Mag e o livro, a biografia mais completa e conceituada sobre a Pequena Notável. Simplesmente apaixonante!

Bibliografia e Webgrafia

Castro, Ruy – ‘Carmen-Uma biografia’ – Companhia das Letras

Carmen Pop-Revista FFW Mag,nº12-2009

http://www.carmenmiranda.com.br/

sexta-feira, 3 de junho de 2011

*Arte* Rita Loureiro



Boi Vento


Nascida em Manaus, no ano de 1952, Rita Loureiro mudou-se para o Rio de Janeiro onde começou a pintar. Mas assim como Hieronymus Bosch, a vida de Rita Loureiro não é muito clara, pois "exilou-se" na Amazônia para criar um repertório sem influências externas, suas obras têm uma intensidade marcante e inúmeras hipóteses de significado e interpretação, algumas figuras são facilmente reconhecidas por pessoas que compartilham da cultura amazonense e que conhecem lendas, danças, costumes e histórias de onde Rita tomou inspiração e repertório de pintura.


"Desfolhante Laranja"



Em 1984, executou um trabalho de ilustração de Macunaíma, o herói sem caráter, de Mário de Andrade. No livro Boi-Tema sobre a exposição homônima da artista, Gilda de Melo e Souza, em sua apresentação aborda o período em que Rita Loureiro esteve isolada na Amazonia produzindo as ilustrações de Macunaíma como um período de aprendizado e experimentação, revelando o autêntico estilo dela mais tarde, depois de participar de diversas exposições, na "Boi Tema", no Museu de Arte de São Paulo em 1984.




"Pesadelo do Vaqueiro"


Inspirada basicamente no Boi-Bumbá, todas as personagens, a indumentária, a figuração simbólica, sugestões plásticas e situações derivam de sua inspiração. Familiar ao povo em que lhe serviu de inspiração, sua obra transmite historietas, críticas sociais ou políticas forjadas, versões pessoais de mitos, modo de compor igual ao utilizado no Quattrocento para revitalizar a pintura no Ocidente. O tema, a artista revelou, foi escolhido por influência de Mario de Andrade, que considerava o boi como figura importante no imaginário brasileiro, sendo “o bicho nacional por excelência”.

Os quadros de Rita remetem a festas populares com determinados conceitos de espaço, acessórios, decorações, personagens e até mesmo situações dramáticas, retratam o espaço no sentido horizontal e em disposição em desfile, representando as longas distâncias e paisagens da Amazônia.

Rita fundiu a tradição erudita e européia com profundas raízes populares, graças a seu isolamento na Amazonia pôde refletir sobre sua pintura longe das modas e manias, absorvendo sem preconceito a arte de períodos como o Quattrocento e a arte holandesa, sendo considerada como a equivalente brasileira do inquietante Hieronymus Bosch.


Obs.: Perdoem-me pela qualidades das imagens, mas na internet foi impossível conseguir imagens das obras da artista, portanto tive que escaneá-las do livro que usei para me ajudar a escrever o texto.


Fontes

Livro: Boi-Tema - Texto de Gilda de Mello e Souza

Site: Itaú Cultural