
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Lançamento de 'Doces Sonhos'

segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Quem tem medo dos clássicos?

Depois de um período de seca (adaptação da vida acadêmica,rs) estava sentindo muita falta do blog, então decidi me disciplinar pra escrever.
Esse tempo em que fiquei sem postar foi bastante produtivo nas leituras e, pensando no que seria legal pra trazer pra cá, me veio à cabeça (novamente) a questão da leitura dos livros clássicos.
Até mesmo entre os acadêmicos do curso de Letras percebo certo receio em se aventurar pelos livros clássicos, pra não dizer preconceito.
Nessa questão penso que é importante respeitar o gosto e a opinião de cada um, afinal de contas o prazer resultante da leitura é um dos maiores trunfos no incentivo por parte dos amantes dos livros, só que este prazer tem como uma de suas fontes a identificação que o leitor tem com o assunto que está lendo, o gosto que ele tem pelo tipo da leitura. É claro que é muito mais fácil lermos algo com o qual já tenhamos familiaridade ou do qual gostamos, mas ás vezes o esforço numa tentativa fora de nossa zona de conforto pode trazer grandes surpresas. E, por outro lado, tentar tipos diferentes de leitura nos abre as portas para novos conhecimentos e melhor discernimento sobre o que nos vai bem ou não. É totalmente permitido não gostar de um autor que o resto do mundo adorou e consagrou como clássico durante anos. As pessoas são diferentes e tem direito a isso. Mas é claro, para ter essa opinião é preciso conhecer do que se está falando.
Os clássicos são livros que foram odiados e injustiçados ou que fizeram sucesso desde o começo, mas para que isso mudasse ou se mantivesse foi necessário que milhares de leitores ao redor do mundo dessem uma chance para a obra. O livro, clássico ou não, precisa ser desbravado, muitas vezes em alguns casos, para que sua essência mostre o rosto para nós. Uma leitura que a princípio nos parece extremamente difícil pode se desenrolar depois de repetida. Um clássico pode se mostrar de fácil compreensão se passarmos a lê-lo de outra forma, de forma menos receosa e mais receptiva.
Como tudo na vida, os Clássicos só precisam de uma chance e um pouco de coragem!terça-feira, 26 de julho de 2011
*Cinema* Meia noite em Paris
SinopseGil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores americanos e quis ser como eles. A vida lhe levou a trabalhar como roteirista em Hollywood, o que se por um lado fez com que fosse muito bem remunerado, por outro lhe rendeu uma boa dose de frustração. Agora ele está prestes a ir a Paris ao lado de sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e dos pais dela, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). John irá à cidade para fechar um grande negócio e não se preocupa nem um pouco em esconder sua desaprovação pelo futuro genro. Estar em Paris faz com que Gil volte a se questionar sobre os rumos de sua vida, desencadeando o velho sonho de se tornar um escritor reconhecido.
“When the little bluebird
Who has never said a word
Starts to sing Spring
When the little bluebell
At the bottom of the dell
Starts to ring Ding dong Ding dong
When the little blue clerk
In the middle of his work
Starts a tune to the moon up above
It is nature that is all
Simply telling us to fall in love”
Let’s do it – Cole Porter
Tive o imenso prazer de ir ao cinema e conferir o tão falado novo filme de Woody Allen, ‘Meia-noite em Paris’ e tenho que comentar: Filmes cult então em alta, não é? Mas me pergunto se as pessoas estão valorizando tais filmes por serem bons de verdade ou simplesmente por receberem a tag ‘cult’.
Eu quis assistir porque sou apaixonada por Paris e a França e morro de vontade de conhecer, e também pelos maravilhosos artistas e escritores que são retratados na película. Não posso dizer que sou grande conhecedora dos filmes de Woody Allen, mas saber que o filme foi feito por ele pesou na minha decisão. Não me arrependi de forma alguma e me apaixonei pelo filme!
O personagem principal é um homem comum, escritor de roteiros que escreveu seu primeiro romance e está prestes a se casar. Apaixonado pela década de 20, numa viagem que faz com sua noiva a Paris ele acaba experimentando toda a beleza da época, na pele. Ele de fato faz uma estranha viagem no tempo e vai parar na década de 20 em Paris. Encontra escritores e artistas importantíssimos como Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Picasso e Dali. Mesmo sabendo da loucura e impossibilidade de tudo aquilo, o protagonista entra de cabeça nesse mundo com o qual apenas sonhara e se sente em casa.
Em alguns momentos é preciso conhecer um pouco sobre arte e literatura para entender a sutileza das situações em que ele encontra grandes personalidade dessas áreas, mas acredito que o que há de melhor no filme é a capacidade de entretenimento de qualidade aliado as lições que podemos transportar para a vida real. Em certo momento, apesar de adorar conhecer seus ídolos, o personagem começa a se questionar sobre o saudosismo ilimitado e aonde isso o pode levar.
Filme válido para questionar analisar e se dar bem com o passado, o presente e o futuro!*Resenha* A Pirâmide Vermelha - Rick Riordan
Sinopse Uma noite, o Dr. Kane traz os irmãos juntos para uma experiência de “pesquisa” no Museu Britânico, onde ele espera para acertar as coisas para sua família. Ao contrário, ele liberta o deus egípcio Set, que expulsa-lo ao esquecimento e forças das crianças a fugir para salvar suas vidas.
Logo, Sadie e Carter descobre que os deuses do Egito estão acordando e, o pior deles – Set – tem a sua visão sobre o Kanes. Para detê-lo, os irmãos embarcam em uma perigosa viagem em todo o mundo – uma busca que traz os cada vez mais perto da verdade sobre sua família e seus vínculos com uma ordem secreta que existiu desde o tempo dos faraós.
Depois de ver tantos livros sobre o mesmo tema: vampiros, anjos e mesmo deuses gregos (tema desencadeado pela série de sucesso de Rick Riordan, Percy Jackson e os Olimpianos) é um alívio ler uma obra infanto-juvenil com um tema diferente.
Sou fã declarada da série Percy Jackson e de Rick Riordan, portanto comecei a ler ‘A Pirâmide Vermelha’ cheia de expectativa e não me decepcionei. Gosto de trazer aqui pro blog livros que realmente tragam bom conteúdo e acrescentem algo de bom para o leitor, não importando o tema ou o público para o qual o livro se dirige. Muitas pessoas não se dispõem a ler literatura infanto-juvenil por acharem que as histórias são tolas e rasas. Grande besteira! Muitos livros para o público mais jovem tem qualidade impressionante e têm o dom de ultrapassar seu público-alvo. Os livros de Rick Riordan são um ótimo exemplo desse fenômeno.
Carter e Sadie são dois irmãos que foram separados quando pequenos, Carter ficou com o pai, Julius, e Sadie com os avós maternos, que não se davam muito bem com seus pais. Por tal motivo, Sadie só vê o pai e o irmão duas vezes por ano. Em sua visita mais recente, no dia de Natal, Julius leva os dois filhos para uma pequena visita ao Museu Britânico para dar uma olhadinha na pedra de Roseta, artefato de extrema importância para a compreensão do passado do Egito. Mas essa visita não acontece de forma tranqüila, e os incidentes por ela gerados, levam os irmãos Kane, Carter e Sadie, a se unirem para lutar contra um terrível deus egípcio, Set, que tem planos de destruir e dominar o continente americano.
Além de uma narração bem construída e dinâmica, Rick Riordan nos dá uma verdadeira aula sobre os costumes e crenças do Egito Antigo, sem que a gente sequer perceba. Através das descobertas dos protagonistas, dos fatos engraçados e perigosos que os dois enfrentam, o autor vai desenredando a antiga rede da mitologia egípcia e as maravilhosas histórias imaginadas por esse povo.
Recomendo qualquer leitura de Rick Riordan para quem deseja relaxar, de divertir e aprender, tudo ao mesmo tempo!
sábado, 25 de junho de 2011
*Resenha* Tempo de Matar - John Grishan

Sinopse
Dois homens brancos espancam e violentam impiedosamente uma menina negra de dez anos, numa pequena cidade ao sul dos Estados Unidos. A população da cidade - Clanton, no Mississipi -, apesar da significativa maioria branca, reage com choque e horror ao crime desumano. Mas o drama da menina Tonya e de sua família não pára por aí. Ele ganha dimensão nacional a partir do momento em que o pai da menina consegue um fuzil emprestado, relembra seus tempos no Vietnã e mata os estupradores. A opinião pública se divide e o jovem advogado, Jack Brigance, que assume a defesa, terá que enfrentar toda sorte de perseguições, principalmente por parte da violenta Ku Klux Klan. Título original: A time to kill.
John Grishan pra mim é um daqueles autores do qual você ouve falar muito, nada de bom ou ruim, ele apenas é comentado, mas você nunca realmente se interessou em lê-lo. Eu conheci a história de ‘Tempo de Matar’ primeiro através do filme, estrelado por Samuel L. Jackson, Matthew McConaughey e Sandra Bullock. O filme me prendeu e me conquistou de primeira e como acontece sempre que descubro que um filme foi baseado num livro, decidi na hora que precisaria ler. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o autor do livro era John Grishan? E fiquei mais surpresa ao ler o prefácio escrito pelo autor dizendo que este fora seu primeiro livro. Fiquei intrigadíssima!
Bem, vamos às conclusões da leitura. O livro é maravilhoso e cheguei a conclusão que Jonh Grishan pode vir a ser um dos meus autores favoritos. Ele escolheu uma temática bem delicada e polêmica (o estupro ligado às questões raciais nos EUA) e mostrou que não tem medo de temas como esse e não tem medo de construir suas histórias e personagens e acabar afrontando e contrariando a opinião da maioria, o que é uma característica que pode vir a ser irritante em alguns momentos da leitura, mas, sob a luz certa, isso revela força na escrita e na personalidade do escritor. Ás vezes é difícil dar uma chance a um autor sobre o qual não se sabe muito, mas considero importante ‘correr o risco’ sempre, pois existe muita qualidade no mundo literário hoje em dia que permanece na obscuridade. Grishan, acredito que por ser seu primeiro livro, é um tanto prolixo e se demora demais e coisas insignificantes, mas isso não tira a qualidade da obra de forma alguma.
O que mais me cativou na história, desde que assisti ao filme, foi a questão ética. Até onde Carle Lee Hailey tinha razão e o direito de defender sua filha? Um crime hediondo é remediável por outro crime hediondo? Mil conclusões, pensamentos e opiniões surgem desses questionamentos, outro ponto forte para avaliar a qualidade da escrita e do autor. Nenhum é totalmente dispensável ou inútil, mas uma boa obra literária deve mover o leitor e despertar questionamentos e mesmo incômodo, para que a leitura surta o efeito ideal de mover pessoas e o mundo.
Em breve abordarei este livro de forma mais profunda, associando-o à teoria da moral do professor americano Lawrence Kohlberg na coluna de Filosofia, de forma simples e leiga, mas vale a pena conferir!^^
segunda-feira, 13 de junho de 2011
*Resenha* Memórias de uma Gueixa - Arthur Golden
Sinopse"Memórias de uma Gueixa" é um romance fascinante, para ser lido de várias maneiras: como um mergulho na tradicional cultura japonesa, ou um romance sobre a sexualidade, e ainda, como uma descrição minuciosa da alma de uma mulher já apresentada por um homem. Seu relato tem início numa vila pobre de pescadores, em 1929, onde a menina de nove anos é tirada de casa e vendida como escrava. Pouco a pouco, vamos acompanhar sua transformação pelas artes da dança e da música, do vestuário e da maquilagem; e a educação para detalhes como a maneira de servir saquê revelando apenas um ponto do lado interno do pulso - armas e mais armas para as batalhas pela atenção dos homens. Mas a Segunda Guerra Mundial força o fechamento das casas de gueixas e Sayuri vê-se forçada a se
reinventar em outros termos, em outras paisagens.
Há muito tempo que eu quero ler esse livro, desde que vi o filme e descobri que era baseado num livro, assim como qualquer filme que me emociona, eu não descanso enquanto não leio a obra. Os filmes embora bem feitos, não alcançam a riqueza de detalhes e o estilo único de escrita de cada autor. Enquanto não leio o livro nunca acho que sei o bastante sobre a história que o filme retrata.
Leitura absolutamente recomendada para quem se interessa pela história das mulheres e do Japão e quem gosta de uma boa narrativa de memórias.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
*Resenha* O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini
SinopseNum dia de felicidade, quando ao ganhar o campeonato de pipas que acontece todo inverno em seu bairro Amir consegue a aprovação do pai, acontece o ponto de virada nas vidas dos dois garotos. Por covardia Amir não ajuda Hassan num momento de extrema necessidade e paga por esse erro durante o resto de sua vida.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
'Os sofrimentos do jovem Werther' - Johann Wolfgang Goethe
A literatura alemã divide-se em antes e depois de Os Sofrimentos do Jovem Werther, que chega às livrarias brasileiras nesta nova e brilhante tradução de Marcelo Backes.Ao escrever Werther, em 1774, Johann Wolfgang Goethe alcançava sua primeira obra de sucesso e, de quebra, dava início à prosa moderna na Alemanha. Werther não é, simplesmente, um romance em cartas assim como Nova Heloísa de Rousseau ou Pamela de Richardson. Esta que é uma das mais célebres obras de Goethe é o romance de uma alma, uma história interior. Dilacerante, arrebatada é a história de uma paixão literalmente devastadora. Com enorme repercussão quando do seu lançamento, Werther foi um testemunho de como a literatura tinha poder de agir na sociedade. Não foram poucos os suicídios atribuídos ao romance. Johann Wolfang von Goethe nasceu em Frankfurt em 1749 e morreu em Weimar em 1832. Poeta, romancista, dramaturgo, crítico, estadista, tornou-se um dos maiores vultos do pensamento alemão, tendo influenciado várias gerações. Em 1775, a convite do Duque Carlos Augusto, foi administrador de Weimar, onde destacou-se brilhantemente como administrador, financista e estadista. Deixou vasta obra, onde se destacam, entre outras, Werther, Ifigênia, Elegias Romanas (poesia), Fausto, Teoria das Cores, Viagem à Itália, Poesia e Verdade.
“Não sou o único: todos os homens estão sujeitos a sofrer dores e desilusões, e ver seus sonhos frustrarem-se.”
Werther, pág. 101
Quem conhece um pouco a história desse livro sabe que um dos fatos ‘curiosos’ e aterradores em volta dele é que, à época de seu lançamento no século 18, causou uma onda de suicídios entre multidões de leitores, absolutamente identificados com o jovem Werther.
Gostei muito do livro apesar da tristeza e do desespero alucinado do personagem. Acredito que a capacidade de se identificar com um personagem ou com um sentimento que uma obra transparece é um dos determinantes de sucesso e apreço de um livro. O tema é muito complicado e controverso e acredito que identificação de fato seria no mínimo preocupante.
A taxa de suicídio no Brasil, dentre as três causas de morte violenta, foi a que mais subiu (17% na população total e na faixa etária de jovens entre os 15 e os 24 anos) no período de 1998 a 2008. Entre os índices mais elevados de suicídio encontram-se muitas áreas de assentamentos indígenas, como em Amambaí e Paranhos, no Mato Grosso do Sul, que são o topo da lista de suicídios da população total e Dourados no mesmo estado e Tabatinga, no Amazonas, que lideram a lista da população jovem, segundo o Mapa da Violência/2011, divulgado em fevereiro. Contudo, em comparação com outros países o nível de suicídios no Brasil é considerado baixo, ocupando a posição de número 73 na lista dos 100 países pesquisados, com o índice de 4,9 suicídios a cada 100 mil habitantes.
Apesar das estatísticas e do perigo de uma identificação exageradamente apaixonada como aconteceu quando o livro foi lançado, a própria história que inspirou ‘Os sofrimentos do jovem Werther’ (história real acontecida com o próprio Goethe, que se apaixonou por Charlotte Buff, que já estava comprometida e se casou com outro) mostra o outro caminho do sofrimento. Caso Goethe tivesse sucumbido do mesmo mal de seu intenso Werther, o mundo e a Alemanha teriam sido privados de obras como Fausto, Ifigênia e das cartas intensas e melancólicas do jovem Werther.
É impressionante a intensidade, subjetividade e cuidado da descrição, nas cartas do personagem ao amigo, como um jovem de espírito livre, intenso e com imenso apreço pela vida, a natureza e as pessoas sensíveis, vai se eclipsando e sendo engolfado pela iminência de uma decepção profunda: ver a pessoa amada se juntar a outra. A diferença das primeiras cartas para o período em que o noivo da doce Lotte retorna a cidade vai radicalmente se pronunciando a ponto de o jovem sensível e apaixonado de antes se tornar um pobre atormentado por todo e qualquer acontecimento infeliz ligado diretamente ou não a sua vida.
A leitura não é difícil, mas chega a ser aflitiva quando, se aproximando do clímax final o leitor sabe o que está por vir e alguns dos personagens também o sabem, mas espera e até deseja que haja um imprevisto, talvez alguma intervenção inesperada. Em livros assim, envolventes e intensos, é impossível deixar de torcer para um final diferente e acho que é isso que mantém um clássico: a leitura que se renova e provoca quem lê.
“A natureza humana – continuei – é limitada: podemos suportar a alegria, o sofrimento, a dor, mas só até certo ponto; quando ele é ultrapassado sucumbimos. Portanto, aqui não se trata de sabe se um homem é forte ou fraco, mas se é capaz de suportar a medida de seu sofrimento, seja moral ou físico. Considero tão absurdo dizer que um homem é fraco porque se mata quanto chamar de covarde aquele que morre de uma febre maligna.”
Werther, pág. 63
Fontes que ajudaram a escrever essa resenha:
domingo, 24 de abril de 2011
*Resenha* Minha Vida de Menina - Helena Morley
Muito mais do que o diário de garota de província no final do século XIX, Minha Vida de Menina antecipa a voga das histórias do cotidiano ao traçar um retrato vital e bem-humorado do dia-a-dia em Diamantina entre 1893 e 1895.
O livro é muito bom de se ler. Me identifiquei muitas vezes com os pensamentos de Helena, afinal de contas é o diário de uma menina se transformando em mulher e, mesmo se passando entre os anos de 1893 e 1895 (há mais de um século atrás), acredito que certas coisas nas infância e na adolescência, sobretudo na formação e na cabeça de uma garota que continuam as mesmas ou ao menos parecidas.
Incentivada pelo pai a escrever seus pensamentos em um caderno, Helena conta histórias engraçadas e tristes do cotidiano, conta coisas que não conta a mais ninguém, a não ser talvez sua avó, e as relações entre os amigos e a família, regida pela matriarca, Teodora. As festas religiosas e o racismo cordial estão muito presentes em seus relatos, já que fazia parte de uma família extremamente católica e de ter presenciado a época em que a ‘Lei Áurea’ de 13 de maio libertou os escravos.
Terna, vivaz e inteligente, a despeito da opinião da autora sobre si mesma, a escrita de Helena despertou dúvidas sobre a idade da autora ao escrever os diários. Guimarães Rosa, suspeitando de que tenham sido redigidos já na maturidade da autora, contestou que não conhecia em nenhuma outra literatura “mais pujante exemplo de tão literal reconstrução da infância”.
Na minha opinião a vida de menina de Helena Morley enquanto era de fato uma menina e que tal valor literário e histórico se deve a um talento nato para a escrita e concordo com a afirmação de uma querida professora minha de que ela poderia ter sido a Jane Austen brasileira, se houvesse tradição feminina na nossa literatura.
*Mais*
Vale a pena conferir!
sexta-feira, 15 de abril de 2011
*Resenha* Resistência (A história de uma mulher que desafiou Hitler) - Agnès Humbert
Sinopse "Albert Camus escreveu: “Bem aventurados os de coração flexível pois eles nunca se partirão”.
Mas eu me pergunto... Se não se partir não haverá cura. E se não houver cura não há aprendizado. E se não houver aprendizado... não haverá luta. Mas a luta é uma parte da vida, então, todos os corações devem se partir?” Lucas Scott – One Tree Hill – 5ª temporada.
“Você sabe aquela visão romântica de que todo o lixo e dor é na verdade terapêutica e bonita, e até poética? Não é verdade. É apenas lixo , e apenas dor. Você sabe o que é melhor? Amor. O dia em que você começar a achar que o amor é supervalorizado, é o dia em que você estará errado. A única coisa errada sobre o amor, a fé e a crença... é não tê-los.” Haley – One Tree Hill – capítulo 18 da 5ª Temporada.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
*Resenha* A Vida Secreta das Meninas - Sharon Lamb
Sinopse Este livro revela dois aspectos da vida das meninas que elas tentam manter em segredo: a sexualidade e a agressividade. Como resultado de mais de 120 entrevistas fascinantes com pré-adolescentes e mulheres adultas, o livro revela o que se passa com as meninas quando se sentem em liberdade e longe dos olhares de um adulto: travessuras, brincadeiras sexuais e comportamento agressivo.
“Os meninos de nossa cultura têm mais liberdade para realizar atividades transgressoras. Dentro de certos limites, são livres para explorar, para sentir raiva, para experimentar; são livres para ser sexuados, ávidos, insultuosos e pura e simplesmente maus. São restringidos de outras maneiras, muito provavelmente tão perniciosas quanto as que limitam as meninas, mas têm permissão para manifestar sua raiva, sua agressividade. A culpa que as meninas sentem quando realizam esses atos absolutamente humanos é tão intensa que as obriga a se reestruturarem de uma forma que despreza aspectos importantes de sua experiência. Elas precisam, tanto quanto os meninos, quebrar as regras de vez em quando, ser desordeiras, bancar que são importantes e sentir sua sexualidade – nada disso é contrário ao conceito de boa menina, e devemos fazer o possível para dizer isso a elas.”(pág. 249)Acredita-se que uma mulher com raiva é pior do que muitos homens. E de onde vem essa comparação? Por que a raiva das mulheres é vista como algo surpreendente? Por que a raiva é vista com um sentimento essencialmente masculino?
“Sempre que falamos sobre a raiva das meninas, a conversa quase sempre se voltou para suas manifestações extremas: meninas que matam, meninas que explodem, meninas que não conseguem controlar sua raiva. (...) Hoje elas estão com medo demais de sua própria raiva e a sentem como uma força estranha. O objetivo dos pais e dos educadores deve ser o de cultivá-la, compreendê-la e até de aprofundá-la no caso de muitas meninas, antes mesmo de uma atitude de “não ligar” ou de alguma confrontação. Não fazemos menos com outras emoções. Mas o nosso medo de dar ouvidos à raiva das meninas e grande demais”(pág. 265)A agressividade ‘secreta’ das meninas pode estar relacionada com a vontade de sentir que ela está no controle, está no poder. E quem pode condenar isso? Quem não gosta de se sentir no comando? Madonna, um ícone de liberação e poder feminino, disse: “É maravilhoso ter poder. Lutei por ele a vida inteira”.
“Hoje o poder é visto como algo bom, mesmo entre as feministas, em parte por causa da expressão “investido de poder”, no sentido de dar conta da própria influência pessoal no mundo, assumindo uma postura ativa em relação aos problemas e lutando contra a própria opressão. Mas há um lado sombrio. Enquanto não aceitarmos o lado sombrio das mulheres e das meninas, inclusive nossa própria agressividade, nossa raiva e nosso desejo de competir, assim como de dominar, vamos perpetuar o mito da boa menina e boa mulher que tanto nos oprimiu durante séculos. Embora as mulheres e meninas tenham de encontrar um caminho para usar a imagem da boa menina em proveito próprio, quando fazem isso escondem esse aspecto sombrio do eu que pode ajudá-las em muitas circunstâncias.” (pág. 286)E se, ao invés de continuarmos pregando o mito da ‘boa menina’, resolvermos ensinar as meninas (e por que não as mulheres?) a administrarem sua raiva de forma saudável em proveito próprio, de outras meninas e mulheres e da própria sociedade? As meninas não precisam mais ter uma vida secreta. Nós podemos e precisamos admitir a raiva e a sexualidade como parte do que somos e também como um direito que temos enquanto seres humanos. Uma garota que é capaz de aceitar-se como um ser sexual, ao invés de pensar sempre no prazer do outro, vai crescer de forma saudável se vendo como ser que deseja e não como um mero objeto do prazer masculino. Uma menina que é capaz de aceitar que pode sentir raiva sem deixar de ser uma pessoa boa é alguém que vai saber se defender quando for preciso e que não vai fazer o papel de vítima a vida inteira como tantas outras desde que o mundo é mundo.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
*Resenha* Melancia - Marian Keys
Sinopse quarta-feira, 30 de março de 2011
*Resenha* Precisamos falar sobre o Kevin
Sinopse quarta-feira, 23 de março de 2011
*Resenha e Cinema* Julie & Julia
Sinopse: A Desafiante: Julie Powell, prestes a completar 30 anos, presa a um emprego sem perspectivas e em busca de um novo rumo para sua vida. O Mito: Julia Child, autora do livro de receitas que apresentou as maravilhas da culinária francesa às donas de casa norte-americanas. O Desafio: Preparar todas as 524 receitas de Mastering the Art of French Cooking, o livro clássico de Julia Child, em apenas um ano - e sobreviver para contar a história. Bom, pra quem não conhece Julie &Julia é um livro (e um filme) sobre a vida de uma mulher, Julie Powell, que mora em Nova York, está chegando aos trinta anos, é funcionária pública e está passando por uma crise: não sabe se tem um filho - isso está começando a preocupá-la já que ela tem “uma síndrome” e todos os médicos dizem que por causa disso e da idade será difícil para ela engravidar - , não está satisfeita com seu trabalho de secretária – onde finalmente decidiu sem assentar e sair da ‘vida temporária’ para crescer e ser uma adulta séria – e por último, não está satisfeita com sua vida. Normal. Todos em algum ponto de nossas vidas nos sentimos incompletos, satisfeitos e que algo está faltando. Isso, aliado a uma crise de idade decisiva, pode enlouquecer qualquer um. Ainda mais uma mulher texana dada a pequenos ataques histéricos e com a pressa característica de uma nova-iorquina. Dado os fatos, Julie decide escrever um blog, para sair da sua rotina e das crises de stress cada vez mais freqüentes. Fascinada pelo livro ‘Mastering the Art of French Cooking’, de Julia Child, a mulher que ‘apresentou’ a cozinha francesa aos americanos. Para ter certeza de que ela irá se empenhar nesse projeto, que ela chama de Julia/Julia, ela põe um prazo de 365 dias para concluir 524 receitas do livro. Com muito humor, ironia, palavrões e temperamento explosivo, aos trancos e barrancos Julie vai fazendo (e refazendo as receitas) do livro, enquanto vai se fascinando pela vida e alegria de Julia Child, e, sem querer, além de aprender – na medida do possível – a preparar comida francesa, Julie se dá conta de a vida tem quer ser aproveitada, degustada, e que o seu caminho deve ser encontrado por você mesmo, não importa se os outros aprovem ou não, concordem ou não.O livro é bom, embora muitas vezes fique cansativo e repetitivo por causa do pessimismo, mau humor e histerismos da autora. São coisas releváveis, já que é importante manter-se fiel a sua personalidade, mesmo que os outros odeiem – a verdadeira Julia Child não gostou do blog e do projeto de Julie, o que é bem triste já que é possível ver o quanto Julie admira Julia. O filme é tão bom quanto o livro, é leve, divertido e as comidas têm uma aparência divina e Maryl Streep, no papel de Julia Child, é simplesmente maravilhosa – como em tudo o que faz.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
*Resenha* Crescendo - Becca Fitzpatrick
Crescendo – Becca FitzpatrickA vida de Nora Grey ainda está longe de ser perfeita. Sofrer uma tentativa de assassinato não foi a melhor das experiências, mas, pelo menos, Nora ganhou um anjo da guarda: Patch, que de angelical não tem absolutamente nada. Ele é lindo, irresistível, misterioso… e está com ela. O problema é que ele sido cada vez mais evasivo, e, o pior: parece muito interessado na grande inimiga de Nora, Marcie Millar.
Não fosse isso, Nora jamais teria notado Scott Parnell, velho amigo da família que acaba de voltar para a cidade. Ainda que Scott a deixe furiosa na maior parte do tempo, é impossível não se sentir atraída. Lá no fundo, porém, ela tem certeza de que ele guarda um segredo.
Atormentada por repetidas visões do pai, inexplicavelmente assassinado anos antes, Nora começa se perguntar se haveria alguma conexão entre a morte dele e o fato de pertencerem a uma linhagem de nefilins. Ela quer descobrir o que realmente aconteceu, mas isso é muito arriscado. Algumas verdades ficam melhor mortas e enterradas — do contrário, podem destruir tudo em que você acredita.contrário, podem destruir tudo em que você acredita
A vida de Nora Grey ainda
está longe de ser perfeita. Sofrer uma tentativa de assassinato não foi a melhor
das experiências, mas, pelo menos, Nora ganhou um anjo da guarda: Patch, que de
angelical não tem absolutamente nada. Ele é lindo, irresistível, misterioso… e
está com ela. O problema é que ele sido cada vez mais evasivo, e, o pior: parece
muito interessado na grande inimiga de Nora, Marcie Millar.
Não fosse isso,
Nora jamais teria notado Scott Parnell, velho amigo da família que acaba de
voltar para a cidade. Ainda que Scott a deixe furiosa na maior parte do tempo, é
impossível não se sentir atraída. Lá no fundo, porém, ela tem certeza de que ele
guarda um segredo.
Atormentada por repetidas visões do pai, inexplicavelmente
assassinado anos antes, Nora começa se perguntar se haveria alguma conexão entre
a morte dele e o fato de pertencerem a uma linhagem de nefilins. Ela quer
descobrir o que realmente aconteceu, mas isso é muito arriscado. Algumas
verdades ficam melhor mortas e enterradas — do contrário, podem destruir tudo em
que você acredita.
Quando li o primeiro livro as série Hush Hush (Sussurro aqui no Brasil), não estava muito empolgada. Os vampiros estavam perdendo seu posto de criaturas mais fascinantes da literatura fantástica para os anjos – não quaisquer anjos, mas anjos caídos. Eu já sabia que os anjos tinham vindo pra ficar e estava ‘com o pé atrás’ por assim dizer, não porque eu era extremamente fanática pelos vampiros, mas sim por causa do alvoroço e do overbooking de livros sobre esses seres sobrenaturais. Apesar de todos os ‘poréns’ uma coisa é certa: Eu acabei me apaixonando pela série Hush Hush e, é claro, pelo Patch.
Com Crescendo houve apenas uma diferença... Eu fiquei vidrada no livro. Becca Fitzpatrick transformou essa continuação em pura tensão, ansiedade e agonia, tudo isso de uma maneira bem positiva, não me entendam mal. Eu queria literalmente devorar o livro, tinha vontade de virar as páginas logo para chegar ao momento em que tudo é esclarecido (a maior parte, pelo menos) e a tensão baixasse um pouco. Como costumo avaliar os livros pelo poder que eles têm de causar reações físicas ou emocionais muito fortes, Crescendo leva uma nota 9 por me manter interessada, apavorada, ansiosa e agitada.
Os personagens do romance são bem convincentes em certa medida. A Nora me deu nos nervos em algumas partes, mas isso é por causa de traços fortes de sua personalidade. Ela é extremamente orgulhosa e tem muita vontade de ser independente, embora, como toda boa mocinha de romances, ela acabe em muitos problemas maiores do que ela e precisa da ajuda dos amigos e dele (sim, dele!*o*), Patch. Patch, comparado, com muitos heróis dos livros de fantástico atuais é muito mais realista. Ele tem aquela pinta de bad boy, irritantemente calado algumas vezes, mas que não tem medo de entrar numa discussão com a amada quando necessário. Sexy, perigoso, sombrio, com uma nobreza e bondade ocultas por olhos negros e tentadores.
Realmente um livro emocionante, tenso, eletrizante e muito, muito instigante.