Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Lançamento de 'Doces Sonhos'

Estou super ausente aqui do blog e estou sentindo tanta falta!!!
Em breve espero criar coragem de organizar decentemente a minha vida pra poder voltar a escrever, mas por enquanto venho aqui deixar com vocês uma super novidade!
Meu livro finalmente saiu e já está a venda nas mais diversas livrarias (clique aqui para adicionar no Skoob). No Skoob tem a sinopse oficial e logo, logo vocês poderão acompanhar as resenhas pra saber a opinião do pessoal.
A data do lançamento oficial é dia 18 de novembro, na Saraiva Mega Store do Shopping Center Norte, às 19:00. A presença de todos é muito importante pra mim, portanto, quem puder compareça!


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Quem tem medo dos clássicos?

Pintura em livro - Mike Stilkey


Depois de um período de seca (adaptação da vida acadêmica,rs) estava sentindo muita falta do blog, então decidi me disciplinar pra escrever.

Esse tempo em que fiquei sem postar foi bastante produtivo nas leituras e, pensando no que seria legal pra trazer pra cá, me veio à cabeça (novamente) a questão da leitura dos livros clássicos.

Até mesmo entre os acadêmicos do curso de Letras percebo certo receio em se aventurar pelos livros clássicos, pra não dizer preconceito.

Nessa questão penso que é importante respeitar o gosto e a opinião de cada um, afinal de contas o prazer resultante da leitura é um dos maiores trunfos no incentivo por parte dos amantes dos livros, só que este prazer tem como uma de suas fontes a identificação que o leitor tem com o assunto que está lendo, o gosto que ele tem pelo tipo da leitura. É claro que é muito mais fácil lermos algo com o qual já tenhamos familiaridade ou do qual gostamos, mas ás vezes o esforço numa tentativa fora de nossa zona de conforto pode trazer grandes surpresas. E, por outro lado, tentar tipos diferentes de leitura nos abre as portas para novos conhecimentos e melhor discernimento sobre o que nos vai bem ou não. É totalmente permitido não gostar de um autor que o resto do mundo adorou e consagrou como clássico durante anos. As pessoas são diferentes e tem direito a isso. Mas é claro, para ter essa opinião é preciso conhecer do que se está falando.

Os clássicos são livros que foram odiados e injustiçados ou que fizeram sucesso desde o começo, mas para que isso mudasse ou se mantivesse foi necessário que milhares de leitores ao redor do mundo dessem uma chance para a obra. O livro, clássico ou não, precisa ser desbravado, muitas vezes em alguns casos, para que sua essência mostre o rosto para nós. Uma leitura que a princípio nos parece extremamente difícil pode se desenrolar depois de repetida. Um clássico pode se mostrar de fácil compreensão se passarmos a lê-lo de outra forma, de forma menos receosa e mais receptiva.

Como tudo na vida, os Clássicos só precisam de uma chance e um pouco de coragem!

terça-feira, 26 de julho de 2011

*Cinema* Meia noite em Paris

Sinopse

Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores americanos e quis ser como eles. A vida lhe levou a trabalhar como roteirista em Hollywood, o que se por um lado fez com que fosse muito bem remunerado, por outro lhe rendeu uma boa dose de frustração. Agora ele está prestes a ir a Paris ao lado de sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e dos pais dela, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). John irá à cidade para fechar um grande negócio e não se preocupa nem um pouco em esconder sua desaprovação pelo futuro genro. Estar em Paris faz com que Gil volte a se questionar sobre os rumos de sua vida, desencadeando o velho sonho de se tornar um escritor reconhecido.



“When the little bluebird
Who has never said a word
Starts to sing Spring
When the little bluebell
At the bottom of the dell
Starts to ring Ding dong Ding dong
When the little blue clerk
In the middle of his work
Starts a tune to the moon up above
It is nature that is all
Simply telling us to fall in love

Let’s do it – Cole Porter

Tive o imenso prazer de ir ao cinema e conferir o tão falado novo filme de Woody Allen, ‘Meia-noite em Paris’ e tenho que comentar: Filmes cult então em alta, não é? Mas me pergunto se as pessoas estão valorizando tais filmes por serem bons de verdade ou simplesmente por receberem a tag ‘cult’.

Eu quis assistir porque sou apaixonada por Paris e a França e morro de vontade de conhecer, e também pelos maravilhosos artistas e escritores que são retratados na película. Não posso dizer que sou grande conhecedora dos filmes de Woody Allen, mas saber que o filme foi feito por ele pesou na minha decisão. Não me arrependi de forma alguma e me apaixonei pelo filme!

O personagem principal é um homem comum, escritor de roteiros que escreveu seu primeiro romance e está prestes a se casar. Apaixonado pela década de 20, numa viagem que faz com sua noiva a Paris ele acaba experimentando toda a beleza da época, na pele. Ele de fato faz uma estranha viagem no tempo e vai parar na década de 20 em Paris. Encontra escritores e artistas importantíssimos como Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Picasso e Dali. Mesmo sabendo da loucura e impossibilidade de tudo aquilo, o protagonista entra de cabeça nesse mundo com o qual apenas sonhara e se sente em casa.

Em alguns momentos é preciso conhecer um pouco sobre arte e literatura para entender a sutileza das situações em que ele encontra grandes personalidade dessas áreas, mas acredito que o que há de melhor no filme é a capacidade de entretenimento de qualidade aliado as lições que podemos transportar para a vida real. Em certo momento, apesar de adorar conhecer seus ídolos, o personagem começa a se questionar sobre o saudosismo ilimitado e aonde isso o pode levar.

Filme válido para questionar analisar e se dar bem com o passado, o presente e o futuro!


*Resenha* A Pirâmide Vermelha - Rick Riordan

Sinopse

Desde a morte de sua mãe, Carter e Sadie viveram perto de estranhos. Enquanto Sadie viveu com os avós, em Londres, seu irmão viajava pelo mundo com seu pai, o egiptólogo brilhante, Dr. Julius Kane.

Uma noite, o Dr. Kane traz os irmãos juntos para uma experiência de “pesquisa” no Museu Britânico, onde ele espera para acertar as coisas para sua família. Ao contrário, ele liberta o deus egípcio Set, que expulsa-lo ao esquecimento e forças das crianças a fugir para salvar suas vidas.

Logo, Sadie e Carter descobre que os deuses do Egito estão acordando e, o pior deles – Set – tem a sua visão sobre o Kanes. Para detê-lo, os irmãos embarcam em uma perigosa viagem em todo o mundo – uma busca que traz os cada vez mais perto da verdade sobre sua família e seus vínculos com uma ordem secreta que existiu desde o tempo dos faraós.


Depois de ver tantos livros sobre o mesmo tema: vampiros, anjos e mesmo deuses gregos (tema desencadeado pela série de sucesso de Rick Riordan, Percy Jackson e os Olimpianos) é um alívio ler uma obra infanto-juvenil com um tema diferente.

Sou fã declarada da série Percy Jackson e de Rick Riordan, portanto comecei a ler ‘A Pirâmide Vermelha’ cheia de expectativa e não me decepcionei. Gosto de trazer aqui pro blog livros que realmente tragam bom conteúdo e acrescentem algo de bom para o leitor, não importando o tema ou o público para o qual o livro se dirige. Muitas pessoas não se dispõem a ler literatura infanto-juvenil por acharem que as histórias são tolas e rasas. Grande besteira! Muitos livros para o público mais jovem tem qualidade impressionante e têm o dom de ultrapassar seu público-alvo. Os livros de Rick Riordan são um ótimo exemplo desse fenômeno.

Carter e Sadie são dois irmãos que foram separados quando pequenos, Carter ficou com o pai, Julius, e Sadie com os avós maternos, que não se davam muito bem com seus pais. Por tal motivo, Sadie só vê o pai e o irmão duas vezes por ano. Em sua visita mais recente, no dia de Natal, Julius leva os dois filhos para uma pequena visita ao Museu Britânico para dar uma olhadinha na pedra de Roseta, artefato de extrema importância para a compreensão do passado do Egito. Mas essa visita não acontece de forma tranqüila, e os incidentes por ela gerados, levam os irmãos Kane, Carter e Sadie, a se unirem para lutar contra um terrível deus egípcio, Set, que tem planos de destruir e dominar o continente americano.

Além de uma narração bem construída e dinâmica, Rick Riordan nos dá uma verdadeira aula sobre os costumes e crenças do Egito Antigo, sem que a gente sequer perceba. Através das descobertas dos protagonistas, dos fatos engraçados e perigosos que os dois enfrentam, o autor vai desenredando a antiga rede da mitologia egípcia e as maravilhosas histórias imaginadas por esse povo.

Recomendo qualquer leitura de Rick Riordan para quem deseja relaxar, de divertir e aprender, tudo ao mesmo tempo!

sábado, 25 de junho de 2011

*Resenha* Tempo de Matar - John Grishan

Sinopse

Dois homens brancos espancam e violentam impiedosamente uma menina negra de dez anos, numa pequena cidade ao sul dos Estados Unidos. A população da cidade - Clanton, no Mississipi -, apesar da significativa maioria branca, reage com choque e horror ao crime desumano. Mas o drama da menina Tonya e de sua família não pára por aí. Ele ganha dimensão nacional a partir do momento em que o pai da menina consegue um fuzil emprestado, relembra seus tempos no Vietnã e mata os estupradores. A opinião pública se divide e o jovem advogado, Jack Brigance, que assume a defesa, terá que enfrentar toda sorte de perseguições, principalmente por parte da violenta Ku Klux Klan. Título original: A time to kill.



John Grishan pra mim é um daqueles autores do qual você ouve falar muito, nada de bom ou ruim, ele apenas é comentado, mas você nunca realmente se interessou em lê-lo. Eu conheci a história de ‘Tempo de Matar’ primeiro através do filme, estrelado por Samuel L. Jackson, Matthew McConaughey e Sandra Bullock. O filme me prendeu e me conquistou de primeira e como acontece sempre que descubro que um filme foi baseado num livro, decidi na hora que precisaria ler. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o autor do livro era John Grishan? E fiquei mais surpresa ao ler o prefácio escrito pelo autor dizendo que este fora seu primeiro livro. Fiquei intrigadíssima!

Bem, vamos às conclusões da leitura. O livro é maravilhoso e cheguei a conclusão que Jonh Grishan pode vir a ser um dos meus autores favoritos. Ele escolheu uma temática bem delicada e polêmica (o estupro ligado às questões raciais nos EUA) e mostrou que não tem medo de temas como esse e não tem medo de construir suas histórias e personagens e acabar afrontando e contrariando a opinião da maioria, o que é uma característica que pode vir a ser irritante em alguns momentos da leitura, mas, sob a luz certa, isso revela força na escrita e na personalidade do escritor. Ás vezes é difícil dar uma chance a um autor sobre o qual não se sabe muito, mas considero importante ‘correr o risco’ sempre, pois existe muita qualidade no mundo literário hoje em dia que permanece na obscuridade. Grishan, acredito que por ser seu primeiro livro, é um tanto prolixo e se demora demais e coisas insignificantes, mas isso não tira a qualidade da obra de forma alguma.

O que mais me cativou na história, desde que assisti ao filme, foi a questão ética. Até onde Carle Lee Hailey tinha razão e o direito de defender sua filha? Um crime hediondo é remediável por outro crime hediondo? Mil conclusões, pensamentos e opiniões surgem desses questionamentos, outro ponto forte para avaliar a qualidade da escrita e do autor. Nenhum é totalmente dispensável ou inútil, mas uma boa obra literária deve mover o leitor e despertar questionamentos e mesmo incômodo, para que a leitura surta o efeito ideal de mover pessoas e o mundo.

Em breve abordarei este livro de forma mais profunda, associando-o à teoria da moral do professor americano Lawrence Kohlberg na coluna de Filosofia, de forma simples e leiga, mas vale a pena conferir!^^

segunda-feira, 13 de junho de 2011

*Resenha* Memórias de uma Gueixa - Arthur Golden

Sinopse
"Memórias de uma Gueixa" é um romance fascinante, para ser lido de várias maneiras: como um mergulho na tradicional cultura japonesa, ou um romance sobre a sexualidade, e ainda, como uma descrição minuciosa da alma de uma mulher já apresentada por um homem. Seu relato tem início numa vila pobre de pescadores, em 1929, onde a menina de nove anos é tirada de casa e vendida como escrava. Pouco a pouco, vamos acompanhar sua transformação pelas artes da dança e da música, do vestuário e da maquilagem; e a educação para detalhes como a maneira de servir saquê revelando apenas um ponto do lado interno do pulso - armas e mais armas para as batalhas pela atenção dos homens. Mas a Segunda Guerra Mundial força o fechamento das casas de gueixas e Sayuri vê-se forçada a se
reinventar em outros termos, em outras paisagens.





Há muito tempo que eu quero ler esse livro, desde que vi o filme e descobri que era baseado num livro, assim como qualquer filme que me emociona, eu não descanso enquanto não leio a obra. Os filmes embora bem feitos, não alcançam a riqueza de detalhes e o estilo único de escrita de cada autor. Enquanto não leio o livro nunca acho que sei o bastante sobre a história que o filme retrata.


No caso de ‘Memórias de uma Gueixa’ de Arthur Golden além de emocionante, duas outras coisas chamam a atenção e são imprescindíveis de se comentar: O autor relata as memórias uma mulher de forma tão delicada e profunda que se pode acreditar que é uma pessoa de verdade expondo suas lembranças ao escritor, além da descrição interessantíssima e até inédita da vida e dos costumes das gueixas no Japão de século XX.


A pesquisa sobre o universo das gueixas pode ter se mostrado um desafio para o autor num primeiro momento pois como o autor mesmo explica em seus agradecimentos ao término do livro, ele tinha muitos conceitos errôneos sobre a vida e os hábitos de uma gueixa, e, graças a entrevistas com algumas delas que acabaram tornando-se boas amigas dele ele pôde desvendar os mistérios desse atraente e peculiar mundo de delicada beleza. Embora seus colaboradores tenham respondido suas perguntas com sinceridade muitos o aconselharam a não mostrar as coisas com tanta clareza, talvez por causa do tema complicado da sexualidade ou do lugar inferior que as mulheres ocupavam na sociedade japonesa das décadas de 30 e 40.


A narrativa, feita em primeira pessoa pela própria Sayuri, revela a delicadeza e humildade de uma mulher que passou por sofrimentos e encontrou seus próprios e arriscados meios para preservar seus sentimentos e sua felicidade. A personagem é vendida a um Okiya, lugar onde vivem as gueixas, em tenra idade sem entender muito bem o que significava tudo aquilo. Depois de diversos contratempos, ela decide que para alcançar seus objetivos de felicidade ela precisa se tornar uma gueixa, mas para realizar seus sonhos ela tem de pagar diversos preços, alguns altos demais por sua rebeldia diante do próprio destino.


Ao longo da trama você se vê tão envolvido pela meiguice, tranqüilidade e bondade da personagem que é difícil acreditar que, embora o autor relate fatos verdadeiros a respeitos das gueixas de Gion dos anos 30 e 40, seus personagens são fictícios. É possível sentir e até acreditar que estamos ‘ouvindo’ os relatos difíceis e emocionantes de uma mulher de verdade.
Leitura absolutamente recomendada para quem se interessa pela história das mulheres e do Japão e quem gosta de uma boa narrativa de memórias.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

*Resenha* O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini

Sinopse


O caçador de pipas é considerado um dos maiores sucessos da literatura mundial dos últimos tempos. Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado.



Fazendo o caminho inverso de muitos leitores, eu li primeiro ‘A Cidade do Sol’ de Khaled Hosseini e devo dizer que me apaixonei profundamente pela história e o modo de escrever do autor. Agora que li também O Caçador de Pipas posso ver a maestria com que ele retrata relações de amizade tão profundas e emocionantes.


O Caçador de Pipas mostra a ‘amizade’ entre Amir e Hassan, os dois sendo praticamente opostos derradeiros: Amir, rico, mimado e constantemente em busca da aprovação do pai, Hassan, pobre, analfabeto, dono de um coração e coragem tremendos. Hassan é extremamente devotado a Amir, Amir por sua vez aprecia sua companhia de forma egoísta e covarde. Hassan é de ascendência Hazara, um povo dito descendente de Gengis Khan e de seu exército mongol, possuem traços asiáticos, são mulçumanos xiitas e eram considerados inferiores no Afeganistão, um país de maioria esmagadora de mulçumanos sunitas. Como a maioria dos Hazaras, Hassan age como se realmente fosse inferior a Amir, que por sua vez, tem vergonha de admitir que é amigo de um hazara.


Amir é extremamente influenciado pelo pai, um homem admirado por todos, corajoso e pouco apegado a religião. Por causa dessa influência, Amir procura fazer de tudo para ser o homem que seu pai deseja, mas falha constantemente, enquanto Hassan parece ser o filho que seu pai desejaria que ele fosse, deixando-o enciumado por essa comparação silenciosa.
Num dia de felicidade, quando ao ganhar o campeonato de pipas que acontece todo inverno em seu bairro Amir consegue a aprovação do pai, acontece o ponto de virada nas vidas dos dois garotos. Por covardia Amir não ajuda Hassan num momento de extrema necessidade e paga por esse erro durante o resto de sua vida.



Esse incidente altera a vida do personagem dramaticamente, fornecendo ao romance uma história por si só instigante, mas o pano de fundo histórico-social adiciona um elemento mais arrebatador para a história. Hosseini apresenta ao mundo um Afeganistão completamente diferentes ao qual nos acostumamos desde que o 11 de Setembro abalou as estruturas dos EUA e colocou o país do centro do continente Asiático nas nossas mentes como um lugar árido, dominado por homens de religião radical, impiedosa e temível. O protagonista nos mostra um país simples, com uma religião severa, mas repleto de um povo alegre com fortes costumes e códigos de honra e conduta. Em 1979, a invasão soviética destrói, talvez para sempre, essa imagem bela que Amir tinha de seu país, e que o acaba afastando de lá e o levando aos Estados Unidos.



Talvez por isso o livro tenha figurado em várias listas de mais vendidos, mais influentes e etc. Hosseini nos mostra não só a fragmentação de uma vida atormentada pela culpa e auto-exigência, mas pela fragmentação de sua própria terra. O livro provocou em mim, mais do a empatia pela amizade e as conseqüências entre Amir e Hassan, um olhar totalmente diferente sobre Afeganistão, dando uma lição de não nos deixar levar pelas listas de livros mais vendidos e pelas manchetes sensacionalistas e catastrofistas de uma imprensa parcial.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

'Os sofrimentos do jovem Werther' - Johann Wolfgang Goethe

Sinopse

A literatura alemã divide-se em antes e depois de Os Sofrimentos do Jovem Werther, que chega às livrarias brasileiras nesta nova e brilhante tradução de Marcelo Backes.Ao escrever Werther, em 1774, Johann Wolfgang Goethe alcançava sua primeira obra de sucesso e, de quebra, dava início à prosa moderna na Alemanha. Werther não é, simplesmente, um romance em cartas assim como Nova Heloísa de Rousseau ou Pamela de Richardson. Esta que é uma das mais célebres obras de Goethe é o romance de uma alma, uma história interior. Dilacerante, arrebatada é a história de uma paixão literalmente devastadora. Com enorme repercussão quando do seu lançamento, Werther foi um testemunho de como a literatura tinha poder de agir na sociedade. Não foram poucos os suicídios atribuídos ao romance. Johann Wolfang von Goethe nasceu em Frankfurt em 1749 e morreu em Weimar em 1832. Poeta, romancista, dramaturgo, crítico, estadista, tornou-se um dos maiores vultos do pensamento alemão, tendo influenciado várias gerações. Em 1775, a convite do Duque Carlos Augusto, foi administrador de Weimar, onde destacou-se brilhantemente como administrador, financista e estadista. Deixou vasta obra, onde se destacam, entre outras, Werther, Ifigênia, Elegias Romanas (poesia), Fausto, Teoria das Cores, Viagem à Itália, Poesia e Verdade.




“Não sou o único: todos os homens estão sujeitos a sofrer dores e desilusões, e ver seus sonhos frustrarem-se.”
Werther, pág. 101




Quem conhece um pouco a história desse livro sabe que um dos fatos ‘curiosos’ e aterradores em volta dele é que, à época de seu lançamento no século 18, causou uma onda de suicídios entre multidões de leitores, absolutamente identificados com o jovem Werther.



Gostei muito do livro apesar da tristeza e do desespero alucinado do personagem. Acredito que a capacidade de se identificar com um personagem ou com um sentimento que uma obra transparece é um dos determinantes de sucesso e apreço de um livro. O tema é muito complicado e controverso e acredito que identificação de fato seria no mínimo preocupante.



A taxa de suicídio no Brasil, dentre as três causas de morte violenta, foi a que mais subiu (17% na população total e na faixa etária de jovens entre os 15 e os 24 anos) no período de 1998 a 2008. Entre os índices mais elevados de suicídio encontram-se muitas áreas de assentamentos indígenas, como em Amambaí e Paranhos, no Mato Grosso do Sul, que são o topo da lista de suicídios da população total e Dourados no mesmo estado e Tabatinga, no Amazonas, que lideram a lista da população jovem, segundo o Mapa da Violência/2011, divulgado em fevereiro. Contudo, em comparação com outros países o nível de suicídios no Brasil é considerado baixo, ocupando a posição de número 73 na lista dos 100 países pesquisados, com o índice de 4,9 suicídios a cada 100 mil habitantes.



Apesar das estatísticas e do perigo de uma identificação exageradamente apaixonada como aconteceu quando o livro foi lançado, a própria história que inspirou ‘Os sofrimentos do jovem Werther’ (história real acontecida com o próprio Goethe, que se apaixonou por Charlotte Buff, que já estava comprometida e se casou com outro) mostra o outro caminho do sofrimento. Caso Goethe tivesse sucumbido do mesmo mal de seu intenso Werther, o mundo e a Alemanha teriam sido privados de obras como Fausto, Ifigênia e das cartas intensas e melancólicas do jovem Werther.



É impressionante a intensidade, subjetividade e cuidado da descrição, nas cartas do personagem ao amigo, como um jovem de espírito livre, intenso e com imenso apreço pela vida, a natureza e as pessoas sensíveis, vai se eclipsando e sendo engolfado pela iminência de uma decepção profunda: ver a pessoa amada se juntar a outra. A diferença das primeiras cartas para o período em que o noivo da doce Lotte retorna a cidade vai radicalmente se pronunciando a ponto de o jovem sensível e apaixonado de antes se tornar um pobre atormentado por todo e qualquer acontecimento infeliz ligado diretamente ou não a sua vida.



A leitura não é difícil, mas chega a ser aflitiva quando, se aproximando do clímax final o leitor sabe o que está por vir e alguns dos personagens também o sabem, mas espera e até deseja que haja um imprevisto, talvez alguma intervenção inesperada. Em livros assim, envolventes e intensos, é impossível deixar de torcer para um final diferente e acho que é isso que mantém um clássico: a leitura que se renova e provoca quem lê.



“A natureza humana – continuei – é limitada: podemos suportar a alegria, o sofrimento, a dor, mas só até certo ponto; quando ele é ultrapassado sucumbimos. Portanto, aqui não se trata de sabe se um homem é forte ou fraco, mas se é capaz de suportar a medida de seu sofrimento, seja moral ou físico. Considero tão absurdo dizer que um homem é fraco porque se mata quanto chamar de covarde aquele que morre de uma febre maligna.”
Werther, pág. 63




Fontes que ajudaram a escrever essa resenha:



domingo, 24 de abril de 2011

*Resenha* Minha Vida de Menina - Helena Morley

Sinopse


Muito mais do que o diário de garota de província no final do século XIX, Minha Vida de Menina antecipa a voga das histórias do cotidiano ao traçar um retrato vital e bem-humorado do dia-a-dia em Diamantina entre 1893 e 1895.

Publicado pela primeira vez em 1942, o livro é um painel multicolorido daquele momento histórico singular no Brasil, com o sabor e a vivacidade de um diário de adolescente.



Helena Morley era o pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant. Nascida em 1880 em Diamantina, Minas Gerais, Alice escreveu um diário durante seus anos de infância e adolescência, retratando uma época onde a escravidão acabara de ser abolida e os primórdios da República. Com uma linguagem sincera e divertida ela descreve o processo de inovações tecnológicas e a vida na mineração e retrata a formação de uma mulher, seus gostos, personalidade e as relações com a família e amigos.


O livro é muito bom de se ler. Me identifiquei muitas vezes com os pensamentos de Helena, afinal de contas é o diário de uma menina se transformando em mulher e, mesmo se passando entre os anos de 1893 e 1895 (há mais de um século atrás), acredito que certas coisas nas infância e na adolescência, sobretudo na formação e na cabeça de uma garota que continuam as mesmas ou ao menos parecidas.


Incentivada pelo pai a escrever seus pensamentos em um caderno, Helena conta histórias engraçadas e tristes do cotidiano, conta coisas que não conta a mais ninguém, a não ser talvez sua avó, e as relações entre os amigos e a família, regida pela matriarca, Teodora. As festas religiosas e o racismo cordial estão muito presentes em seus relatos, já que fazia parte de uma família extremamente católica e de ter presenciado a época em que a ‘Lei Áurea’ de 13 de maio libertou os escravos.


Terna, vivaz e inteligente, a despeito da opinião da autora sobre si mesma, a escrita de Helena despertou dúvidas sobre a idade da autora ao escrever os diários. Guimarães Rosa, suspeitando de que tenham sido redigidos já na maturidade da autora, contestou que não conhecia em nenhuma outra literatura “mais pujante exemplo de tão literal reconstrução da infância”.
Na minha opinião a vida de menina de Helena Morley enquanto era de fato uma menina e que tal valor literário e histórico se deve a um talento nato para a escrita e concordo com a afirmação de uma querida professora minha de que ela poderia ter sido a Jane Austen brasileira, se houvesse tradição feminina na nossa literatura.



*Mais*


Estou escrevendo uma coluna para o blog Bookworms sobre literatura comparativa. Comparando clássicos (conhecidos ou não) com livros mais atuais ou leves, como forma de nos aproximar dos clássicos sem medo ou receio. No post de estréia, comparo ‘O pardal é um pássaro azul’, de Heloneida Studart, e ‘Minha Vida de Menina’, de Helena Morley.
Vale a pena conferir!












sexta-feira, 15 de abril de 2011

*Resenha* Resistência (A história de uma mulher que desafiou Hitler) - Agnès Humbert

Sinopse

Mistura de diário e memória, Resistência foi publicado pela primeira vez em 1946 e é um relato surpreendentemente bem-humorado e irônico de Agnès Humbert. Após a invasão dos alemães em Paris, Agnès, historiadora da arte, resolve fundar junto com seus colegas do museu o primeiro movimento de resistência na capital francesa. Agnès e seus amigos faziam o que podiam: convocar pequenas greves estratégicas, retirar as moedas de circulação, distribuir um pequeno jornal que informava todas as ações do movimento e suas conseqüências. Até que os alemães a prenderam e a levaram para um campo de concentração. Lá os horrores da guerra a atingiram em cheio. Agnès decidiu resistir mais uma vez. E conseguiu.

Resistência é o testemunho vivo de uma época e suas questões, o depoimento pessoal de uma mulher forte que sempre soube que estava do lado da vida e da liberdade.




"Albert Camus escreveu: “Bem aventurados os de coração flexível pois eles nunca se partirão”.


Mas eu me pergunto... Se não se partir não haverá cura. E se não houver cura não há aprendizado. E se não houver aprendizado... não haverá luta. Mas a luta é uma parte da vida, então, todos os corações devem se partir?” Lucas Scott – One Tree Hill – 5ª temporada.


Achei muito difícil começar a falar desse livro. Não porque não gostei ou porque foi difícil de ler, e sim por causa da temática. Seria muito simplista dizer que amei o livro (o que não deixa de ser verdade) e, de fato, gostei tanto que comecei a me indagar o porquê de tanta fascinação.

Pra começar o livro é o diário de Agnès Humbert, uma historiadora de arte que, inconformada com a ocupação nazista na França em 1940, funda com seus amigos um dos primeiros grupos da Resistência francesa. O diário que oficialmente vai de junho de 1940 até 13 de abril de 1941, retrata o cotidiano de Agnès e como ela decidiu fazer alguma coisa a respeito do grande veneno que maculava sua França na época: o Nazismo. Dona de um humor praticamente inabalável, humilde e generosa, porém forte, Agnès foi impossibilitada de escrever após ser presa em 15 de abril de 1941 (mal podia se alimentar quanto mais escrever). Com a ajuda de uma memória invejável, após ser libertada em 1945 põe-se imediatamente a escrever, também em forma de diário, sua vida, seus pensamentos, as pessoas que conheceu durante sua pena de 5 anos de trabalho forçado na Alemanha.

Assim como nos tocamos com a história de Anne Frank, também a de Agnès Humbert nos coloca em posição muito frágil, com suas semelhanças com a primeira (a luta contra o terror nazista narrada através de um diário) e com suas diferenças também. Agnès sobreviveu a essa época negra da história depois de quase 5 anos de humilhação, doenças não tratadas, dor moral e física, fome e condições sub-humanas de vestimenta e trabalho. Ela resistiu e apesar de ter fraquejado algumas vezes (humana como todos nós) ela não permitiu que levassem além de sua liberdade, seu gosto pela vida, sua crença no ser humano, sua força de vontade e capacidade de ver a beleza onde os distraídos e endurecidos pela dor e pelo tempo vêem somente o horror.

Isso tudo me leva à citação do inicio desta resenha e aos meus motivos para admirar esse livro. Gosto de pensar que não nos atraímos ou no interessamos pela história dos outros somente quando esta mostra horror extremo, tristeza, dor ou humilhação. Claro que histórias assim nos inspiram a valorizar o que temos e quem somos ou mesmo rever nossos valores, só que, como a própria Agnès exemplifica com toda a sua vida e sua luta e como Che Guevara sabiamente disse: Há de endurecer sem a perder a ternura. É importante conhecermos histórias assim para que façamos o que for possível para que não se repitam, mas também é essencialmente necessário procurar a beleza, as coisas boas, os exemplos de felicidade para que a vida não tenha só o lado ruim, mas que seja feita de um equilíbrio entre a felicidade e a tristeza, entre o ideal e a realidade, ás vezes injusta. Não nos deixemos cair nesse poço sem fundo de horror e dor, caindo assim no erro de que a vida tem só coisas ruins a nos oferecer. Não deixemos que o melhor de nós pereça por falta de atenção ou de uso. Todo dia é uma oportunidade pra que as coisas sejam melhores, não é preciso chegar ao fundo do poço pra decidir fazer alguma coisa a esse respeito.


“Você sabe aquela visão romântica de que todo o lixo e dor é na verdade terapêutica e bonita, e até poética? Não é verdade. É apenas lixo , e apenas dor. Você sabe o que é melhor? Amor. O dia em que você começar a achar que o amor é supervalorizado, é o dia em que você estará errado. A única coisa errada sobre o amor, a fé e a crença... é não tê-los.” Haley – One Tree Hill – capítulo 18 da 5ª Temporada.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

*Resenha* A Vida Secreta das Meninas - Sharon Lamb

Sinopse

Este livro revela dois aspectos da vida das meninas que elas tentam manter em segredo: a sexualidade e a agressividade. Como resultado de mais de 120 entrevistas fascinantes com pré-adolescentes e mulheres adultas, o livro revela o que se passa com as meninas quando se sentem em liberdade e longe dos olhares de um adulto: travessuras, brincadeiras sexuais e comportamento agressivo.








O que é uma ‘boa menina’?

Aposto que vem à sua cabeça, quando ouve essa expressão, alguém parecida com a personagem de Jamie Sullivan, do livro Um ano inesquecível (que foi transformado em filme com o nome Um amor para recordar), certo? Ou alguém como a Grace da trilogia Os lobos de Mercy Falls? A irmã mais velha de Elisabeth Bennet, Jane, em Orgulho e Preconceito? Até mesmo a Nora da série Hush Hush... São garotas doces (até certo ponto como sabemos), que obedecem aos pais, são calmas, recatadas, cumprem com suas obrigações se importam com os outros, são femininas, um pouco indefesas... São ‘boas’.

Garotas como Katherine, de Diários do Vampiro, Carmen, da ópera de Bizet, a Duquesa de Merteuil, de As Ligações Perigosas e a pequena e diabólica Lolita de Nabokov são os perfeitos exemplos de meninas más. São maldosas, intensas, interesseiras e principalmente, sexuais e agressivas.

Sharon Lamb no maravilhoso “A Vida Secreta das Meninas”, diz que ao cultivarmos e difundirmos imagens como essas:de que meninas boas são calmas, não têm raiva, que acham que a sexualidade é algo a ser temido e escondido estamos obrigando as meninas e mulheres da nossa sociedade a uma vida em busca de algo que não existe, a perfeição. A idéia de que com as meninas não combina o comportamento agressivo e sexual é completamente errada. A agressividade e a sexualidade são aspectos do ser humano, e não características do sexo masculino.


“Os meninos de nossa cultura têm mais liberdade para realizar atividades transgressoras. Dentro de certos limites, são livres para explorar, para sentir raiva, para experimentar; são livres para ser sexuados, ávidos, insultuosos e pura e simplesmente maus. São restringidos de outras maneiras, muito provavelmente tão perniciosas quanto as que limitam as meninas, mas têm permissão para manifestar sua raiva, sua agressividade. A culpa que as meninas sentem quando realizam esses atos absolutamente humanos é tão intensa que as obriga a se reestruturarem de uma forma que despreza aspectos importantes de sua experiência. Elas precisam, tanto quanto os meninos, quebrar as regras de vez em quando, ser desordeiras, bancar que são importantes e sentir sua sexualidade – nada disso é contrário ao conceito de boa menina, e devemos fazer o possível para dizer isso a elas.”(pág. 249)
Acredita-se que uma mulher com raiva é pior do que muitos homens. E de onde vem essa comparação? Por que a raiva das mulheres é vista como algo surpreendente? Por que a raiva é vista com um sentimento essencialmente masculino?


“Sempre que falamos sobre a raiva das meninas, a conversa quase sempre se voltou para suas manifestações extremas: meninas que matam, meninas que explodem, meninas que não conseguem controlar sua raiva. (...) Hoje elas estão com medo demais de sua própria raiva e a sentem como uma força estranha. O objetivo dos pais e dos educadores deve ser o de cultivá-la, compreendê-la e até de aprofundá-la no caso de muitas meninas, antes mesmo de uma atitude de “não ligar” ou de alguma confrontação. Não fazemos menos com outras emoções. Mas o nosso medo de dar ouvidos à raiva das meninas e grande demais”(pág. 265)
A agressividade ‘secreta’ das meninas pode estar relacionada com a vontade de sentir que ela está no controle, está no poder. E quem pode condenar isso? Quem não gosta de se sentir no comando? Madonna, um ícone de liberação e poder feminino, disse: “É maravilhoso ter poder. Lutei por ele a vida inteira”.
“Hoje o poder é visto como algo bom, mesmo entre as feministas, em parte por causa da expressão “investido de poder”, no sentido de dar conta da própria influência pessoal no mundo, assumindo uma postura ativa em relação aos problemas e lutando contra a própria opressão. Mas há um lado sombrio. Enquanto não aceitarmos o lado sombrio das mulheres e das meninas, inclusive nossa própria agressividade, nossa raiva e nosso desejo de competir, assim como de dominar, vamos perpetuar o mito da boa menina e boa mulher que tanto nos oprimiu durante séculos. Embora as mulheres e meninas tenham de encontrar um caminho para usar a imagem da boa menina em proveito próprio, quando fazem isso escondem esse aspecto sombrio do eu que pode ajudá-las em muitas circunstâncias.” (pág. 286)
E se, ao invés de continuarmos pregando o mito da ‘boa menina’, resolvermos ensinar as meninas (e por que não as mulheres?) a administrarem sua raiva de forma saudável em proveito próprio, de outras meninas e mulheres e da própria sociedade? As meninas não precisam mais ter uma vida secreta. Nós podemos e precisamos admitir a raiva e a sexualidade como parte do que somos e também como um direito que temos enquanto seres humanos. Uma garota que é capaz de aceitar-se como um ser sexual, ao invés de pensar sempre no prazer do outro, vai crescer de forma saudável se vendo como ser que deseja e não como um mero objeto do prazer masculino. Uma menina que é capaz de aceitar que pode sentir raiva sem deixar de ser uma pessoa boa é alguém que vai saber se defender quando for preciso e que não vai fazer o papel de vítima a vida inteira como tantas outras desde que o mundo é mundo.

Enxergar o que é ‘bom’ em coisas diferentes é muito bom. Carmen pode ser tão boa quanto Jane, sua energia e capacidade de lutar e se manter fiel aquilo que quer e deseja é tão louvável quanto a amabilidade de Jane. Sendo assim, além de considerar o livro maravilhoso acho que é de utilidade pública. Todo mundo deveria conhecer A Vida Secreta das Meninas.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

*Resenha* Melancia - Marian Keys

Sinopse

Foi demais da conta para Claire o dia do nascimento da sua filha. Ao acordar no quarto do hospital depara com o marido olhando-a na cama. Deduzindo tratar-se de algum tipo de sinal de respeito, ela nem suspeita de que ele soltará a notpicia da sua iminente separação: "Ouça, Claire, lamento muito, ms encontrei outra pessoa e vou ficar com ela. Desculpe quanto ao bebê e todo o resto, deixar você desse jeito..." Em seguida, dá meia-volta e deixa rapidamente o quarto. Defato, ele sai quase correndo.Com 29 anos, uma filha recém-nascida nos braços e um marido que acabou de confessar um caso de mais de seis meses com a vizinha também casada, Claire se resume a um coração partido, um corpo inteiramente redondo, aparentando uma melancia, e os efeitos colaterais da gravidez, como, digamos, um canal de nascimento dez vezes maior que seu tamanho normal! Não tendo nada melhor em vista, Claire volta a morar com sua excêntrica família: duas irmãs, uma delas obcecada pelo oculto, e a outra, uma demolidora de corações; uma mãe viciada em telenovelas e com fobia de cozinha; e um pai à beira de um ataque de nervos. Depois de muitos dias em depressão, bebedeira e choro, Claire decide avaliar os prós e contras de um casamento de três anos. E começa a se sentir melhor. Aliás, bem melhor. É justamente nesse momento que James, seu ex-marido, reaparece, paea convence-la a assumir a culpa por te-lo jogado nos braços de outra mulher.. Claire irá recebê-lo, mas lhe reservará uma bela surpresa...



Eu não ia fazer a resenha desse livro (confesso que o havia achado ‘banal’ demais para ser resenhado para o blog), mas depois de pensar um pouco achei melhor fazê-lo, pois, depois de alguma pesquisa e leitura de resenhas do livro, percebi que as pessoas que o lêem gostam muito e elogiam bastante (os números de venda no mundo inteiro que o digam. Então,correndo o risco de desagradar muitos fãs do livro e da escritora, eu vou colocar minha análise e opiniões sinceras sobre o livro.

Primeiro de tudo, não consegui encontrar nada de especial na história: o marido a abandona logo depois de ela dar a luz, ela vai para a casa dos pais na Irlanda, entra em depressão, conhece um cara lindo de morrer que devolve parte de sua auto-estima, etc, etc, etc... O que tem de tão especial e diferente nessa história que justifique tamanho sucesso?

A escrita da autora? A escrita de Marian Keys (em 1ª primeira pessoa no livro) me fez pensar estar lendo a história de uma adolescente de 15 anos ao invés da de uma mulher de 30. Não achei as piadas muito engraçadas nem tão inteligentes. Suas expressões são repletas de clichês e muitas cenas são manjadas e batidas demais. As descrições de lugares, pessoas e situações são vagas e fracas.

Retratar a vida e a cabeça de uma mulher de 30 anos? Como já disse a cabeça de Claire, a personagem principal, para a de uma menina de high school, eternamente preocupada com o ‘excesso’ de peso e a aparência ‘de matar’. Sinceramente, a personagem não convence, não parece real, parece excessivamente bem construída e reflete os milhares de problemas das milhões de mulheres pelo mundo a fora, numa só mulher, receita infalível para o autor que deseja que as leitoras se identifiquem com sua personagem e, conseqüentemente, apreciem o seu livro. Afinal quem é a mulher que não se simpatizaria com uma moça que acaba de dar a luz, é totalmente insegura e descobre que seu marido a está traindo e vai deixá-la por uma mulher mais velha e menos bonita do que ela? E quem não quer se comparar a uma mulher que, embora tenha problemas de auto-estima, é bem mais bonita do que pensa e encanta até mesmo os homens considerados ‘inatingíveis’?

Humor inteligente e instigante? Sinceramente não acho as observações e comentários de Claire engraçados. São bem infantis e aclichezados e muitas vezes me faziam ter vontade de jogar o livro longe.

A lição de que ‘tudo na vida se supera’ e ‘o que não nos mata, nos fortalece’? Odeio livros de auto-ajuda e Melancia me pareceu justamente isso, disfarçado de romance de chick-lit (‘literatura para meninas’). O livro mostra como a personagem adquiriu forças para cuidar de sua filha e continuar sua vida, apesar de ter sido abandonada pelo homem que ama de maneira tão cruel. Não existiu nada inspirador nisso, tantas mulheres fazem isso todos os dias, lutam silenciosamente e nem sequer são notadas por isso? Claire se comporta muitas vezes de maneira egoísta, mimada e irritante e apesar de algumas criticas bem pensadas e medidas aos homens, é incapaz de resistir a bom par de braços fortes e bons e protetores 1,80m. Ela também parece ser incapaz de tomar uma decisão por conta própria, precisando ouvir mil e uma opiniões de familiares, amigos e conhecidos antes de tomar, e com muito medo, a decisão óbvia e menos autodestrutiva e depreciativa.

Enfim, decidi escrever essa resenha porque me preocupa o fato de tantas garotas e mulheres gostarem e elogiarem o livro e a personagem sem haver, contudo, feito uma análise mais profunda e inteligente do que foi lido. Na verdade, até li em alguns lugares que o livro se assemelha as novelas que o Brasil tanto aprecia, e, eu tenho de dizer, isso é um ponto positivo? Deixo aqui essas questões para serem pensadas e analisadas sobre a forma atual de retratar o feminino e a forma como as mulheres enxergam a si mesmas. Afinal de contas os escritores de hoje retratam a sociedade de hoje. É assim que nós mulheres somos e queremos que nos vejam? Aconselham que leiam o livro e não se desanimem pela minha opinião nessa resenha. Acredito que é sempre bom que cada um leia para tirar suas próprias conclusões, só aconselham que leiam e realmente prestem atenção ao que estão lendo e não se deixem levar pelo ritmo e história leves pois não é só isso que faz um livro ser bom de verdade.

quarta-feira, 30 de março de 2011

*Resenha* Precisamos falar sobre o Kevin

Sinopse

A partir de um crime brutal, este best-seller mundial discute maternidade e casamento, família e carreira.Eva Katchadourian na verdade nunca quis ser mãe - muito menos a mãe de um garoto que matou sete de seus colegas de escola, uma professora queridíssima, e um servente de uma escola dos subúrbios classe A de Nova York. Para falar de Kevin, 16 anos, autor desta chacina, preso em uma casa de correção de menores, a escritora Lionel Shriver arquitetou um thriller psicanalítico onde não se indaga quem matou. A trama se desenvolve por meio de cartas nas quais a mãe do assassino escreve ao pai ausente. Nelas, procura analisar os motivos da tragédia que destruiu sua vida e a de sua família.Dois anos depois do crime, ela visita o filho regularmente. Aterrorizada por suas lembranças, Eva faz um balanço de sua trajetória onde analisa casamento, carreira, família, maternidade e o papel do pai. Assim, constrói uma meditação sobre a maldade e discute um tabu: a ambivalência de certas mulheres diante da maternidade e sua influencia e responsabilidade na criação de um pequeno monstro.Ao relembrar o passado, reexamina desde o seu medo de ter um filho ao parto do bebê indócil que assustava as baby-sitters. Mostra o garoto maquiavélico que dividia para conquistar. Exibe o adolescente que deixava provas de péssima índole. "Precisamos falar sobre o Kevin" cria polêmicas ao analisar as sociedades contemporâneas que produzem assassinos mirins em série ou pitboys. Estimula discussões sobre culpa e empatia, retribuição e perdão nas relações familiares, e nos leva a debater uma questão tenebrosa: poderíamos odiar nossos filhos?



‘Precisamos falar sobre o Kevin’ é uma sugestão assustadora, odiosa, nua e crua e... tremendamente brilhante! Lionel Shriver é uma autora surpreendente, nos leva para dentro da mente de uma mãe inicialmente atormentada pela iminência da suposta falta de amor pelo filho, Kevin, e depois, depois dos sinais óbvios e dos implícitos, tem de lidar com o fato de que ele, pouquíssimo tempo antes de completar 16 anos, é o responsável por matar 7 de seus colegas de escola, uma professora e um funcionário.


Kevin Katchadourian, conhecido como “KK” depois de seu ‘episódio’ na escola, é um adolescente que não gosta de nada, não aparenta sentir nada a não ser enfado, cuja mente além de inacessível é tremendamente sombria. Ele não sente remorso pelo que fez, pelo contrário, se orgulha, e dá todos os sinais de ser o modelo perfeito de psicopata (pessoa que sofre de um desequilíbrio patológico no controle das emoções e dos impulsos, que corresponde freqüentemente a um comportamento anti-social).


Não seria esse o tipo mais de difícil de filho para se amar?


Essa é uma das questões que mais atormentam Eva Katchadourian: a dificuldade – ou a ausência de amor por Kevin. O livro é no formato de cartas de Eva para Franklin, o pai de Kevin, através das quais ela aborda sua vida, suas realizações, como se conheceram, seu casamento, a concepção um tanto indesejada de Kevin e sua infância e adolescência até a fatídica quinta-feira, data de seu atentado à la Columbine. O assunto do livro é muito delicado devido a crueza dos fatos, o horror de contemplar alguém que é capaz de ultrapassar – e ridicularizar – todos os limites que nos mantém civilizados e que reprimem nossos impulsos destrutivos, principalmente quando acontecimentos desse tipo envolvem ‘crianças’. Nos EUA, junto com os atentados terroristas, esse é um dos grandes e temíveis tabus: os massacres nas escolas, onde adolescentes marginalizados pela ‘hierarquia’ estudantil, cansados do bullying, decidem que a melhor saída é matar alguns de seus companheiros e/ou professores, como forma de se vingar do sistema, da sociedade ou da injustiça da vida. Tudo isso é bem chocante por si só. A realidade de que crianças entre 11 e 17 anos se vêem em turbulências emocionais e pressão cruel e desmedida tão grandes que vêem como única solução o mais drástico, desumanizador e violento ato de ‘redenção’.


Isso, visto pelo prisma da mãe do ‘responsável’, que se responsabiliza de certa forma pelos atos do filho, dividindo-se a vida inteira entre amor forçado e ódio por ele, em uma escrita crua e ao mesmo tempo repleta de sentimento de uma mãe para um pai, só pode resultar num livro cativante, aflitivo, e admirável. E com direito a um final no mínimo espantoso.

quarta-feira, 23 de março de 2011

*Resenha e Cinema* Julie & Julia

Sinopse: A Desafiante: Julie Powell, prestes a completar 30 anos, presa a um emprego sem perspectivas e em busca de um novo rumo para sua vida. O Mito: Julia Child, autora do livro de receitas que apresentou as maravilhas da culinária francesa às donas de casa norte-americanas. O Desafio: Preparar todas as 524 receitas de Mastering the Art of French Cooking, o livro clássico de Julia Child, em apenas um ano - e sobreviver para contar a história. Bom, pra quem não conhece Julie &Julia é um livro (e um filme) sobre a vida de uma mulher, Julie Powell, que mora em Nova York, está chegando aos trinta anos, é funcionária pública e está passando por uma crise: não sabe se tem um filho - isso está começando a preocupá-la já que ela tem “uma síndrome” e todos os médicos dizem que por causa disso e da idade será difícil para ela engravidar - , não está satisfeita com seu trabalho de secretária – onde finalmente decidiu sem assentar e sair da ‘vida temporária’ para crescer e ser uma adulta séria – e por último, não está satisfeita com sua vida. Normal. Todos em algum ponto de nossas vidas nos sentimos incompletos, satisfeitos e que algo está faltando. Isso, aliado a uma crise de idade decisiva, pode enlouquecer qualquer um. Ainda mais uma mulher texana dada a pequenos ataques histéricos e com a pressa característica de uma nova-iorquina. Dado os fatos, Julie decide escrever um blog, para sair da sua rotina e das crises de stress cada vez mais freqüentes. Fascinada pelo livro ‘Mastering the Art of French Cooking’, de Julia Child, a mulher que ‘apresentou’ a cozinha francesa aos americanos. Para ter certeza de que ela irá se empenhar nesse projeto, que ela chama de Julia/Julia, ela põe um prazo de 365 dias para concluir 524 receitas do livro. Com muito humor, ironia, palavrões e temperamento explosivo, aos trancos e barrancos Julie vai fazendo (e refazendo as receitas) do livro, enquanto vai se fascinando pela vida e alegria de Julia Child, e, sem querer, além de aprender – na medida do possível – a preparar comida francesa, Julie se dá conta de a vida tem quer ser aproveitada, degustada, e que o seu caminho deve ser encontrado por você mesmo, não importa se os outros aprovem ou não, concordem ou não.O livro é bom, embora muitas vezes fique cansativo e repetitivo por causa do pessimismo, mau humor e histerismos da autora. São coisas releváveis, já que é importante manter-se fiel a sua personalidade, mesmo que os outros odeiem – a verdadeira Julia Child não gostou do blog e do projeto de Julie, o que é bem triste já que é possível ver o quanto Julie admira Julia. O filme é tão bom quanto o livro, é leve, divertido e as comidas têm uma aparência divina e Maryl Streep, no papel de Julia Child, é simplesmente maravilhosa – como em tudo o que faz.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

*Resenha* Crescendo - Becca Fitzpatrick

Crescendo – Becca Fitzpatrick

Sinopse

A vida de Nora Grey ainda está longe de ser perfeita. Sofrer uma tentativa de assassinato não foi a melhor das experiências, mas, pelo menos, Nora ganhou um anjo da guarda: Patch, que de angelical não tem absolutamente nada. Ele é lindo, irresistível, misterioso… e está com ela. O problema é que ele sido cada vez mais evasivo, e, o pior: parece muito interessado na grande inimiga de Nora, Marcie Millar.
Não fosse isso, Nora jamais teria notado Scott Parnell, velho amigo da família que acaba de voltar para a cidade. Ainda que Scott a deixe furiosa na maior parte do tempo, é impossível não se sentir atraída. Lá no fundo, porém, ela tem certeza de que ele guarda um segredo.
Atormentada por repetidas visões do pai, inexplicavelmente assassinado anos antes, Nora começa se perguntar se haveria alguma conexão entre a morte dele e o fato de pertencerem a uma linhagem de nefilins. Ela quer descobrir o que realmente aconteceu, mas isso é muito arriscado. Algumas verdades ficam melhor mortas e enterradas — do contrário, podem destruir tudo em que você acredita.contrário, podem destruir tudo em que você acredita
A vida de Nora Grey ainda
está longe de ser perfeita. Sofrer uma tentativa de assassinato não foi a melhor
das experiências, mas, pelo menos, Nora ganhou um anjo da guarda: Patch, que de
angelical não tem absolutamente nada. Ele é lindo, irresistível, misterioso… e
está com ela. O problema é que ele sido cada vez mais evasivo, e, o pior: parece
muito interessado na grande inimiga de Nora, Marcie Millar.
Não fosse isso,
Nora jamais teria notado Scott Parnell, velho amigo da família que acaba de
voltar para a cidade. Ainda que Scott a deixe furiosa na maior parte do tempo, é
impossível não se sentir atraída. Lá no fundo, porém, ela tem certeza de que ele
guarda um segredo.
Atormentada por repetidas visões do pai, inexplicavelmente
assassinado anos antes, Nora começa se perguntar se haveria alguma conexão entre
a morte dele e o fato de pertencerem a uma linhagem de nefilins. Ela quer
descobrir o que realmente aconteceu, mas isso é muito arriscado. Algumas
verdades ficam melhor mortas e enterradas — do contrário, podem destruir tudo em
que você acredita.


Quando li o primeiro livro as série Hush Hush (Sussurro aqui no Brasil), não estava muito empolgada. Os vampiros estavam perdendo seu posto de criaturas mais fascinantes da literatura fantástica para os anjos – não quaisquer anjos, mas anjos caídos. Eu já sabia que os anjos tinham vindo pra ficar e estava ‘com o pé atrás’ por assim dizer, não porque eu era extremamente fanática pelos vampiros, mas sim por causa do alvoroço e do overbooking de livros sobre esses seres sobrenaturais. Apesar de todos os ‘poréns’ uma coisa é certa: Eu acabei me apaixonando pela série Hush Hush e, é claro, pelo Patch.
Com Crescendo houve apenas uma diferença... Eu fiquei vidrada no livro. Becca Fitzpatrick transformou essa continuação em pura tensão, ansiedade e agonia, tudo isso de uma maneira bem positiva, não me entendam mal. Eu queria literalmente devorar o livro, tinha vontade de virar as páginas logo para chegar ao momento em que tudo é esclarecido (a maior parte, pelo menos) e a tensão baixasse um pouco. Como costumo avaliar os livros pelo poder que eles têm de causar reações físicas ou emocionais muito fortes, Crescendo leva uma nota 9 por me manter interessada, apavorada, ansiosa e agitada.
Os personagens do romance são bem convincentes em certa medida. A Nora me deu nos nervos em algumas partes, mas isso é por causa de traços fortes de sua personalidade. Ela é extremamente orgulhosa e tem muita vontade de ser independente, embora, como toda boa mocinha de romances, ela acabe em muitos problemas maiores do que ela e precisa da ajuda dos amigos e dele (sim, dele!*o*), Patch. Patch, comparado, com muitos heróis dos livros de fantástico atuais é muito mais realista. Ele tem aquela pinta de bad boy, irritantemente calado algumas vezes, mas que não tem medo de entrar numa discussão com a amada quando necessário. Sexy, perigoso, sombrio, com uma nobreza e bondade ocultas por olhos negros e tentadores.
Realmente um livro emocionante, tenso, eletrizante e muito, muito instigante.